Fernando Molica

A parte da direita que rejeita Flávio Bolsonaro

Entre os que preferem o ex-governador de Goiás, 45% disseram não votar no candidato do PL em uma rodada decisiva

A parte da direita que rejeita Flávio Bolsonaro
Caiado: num segundo turno, 53% de seus eleitores ficariam com Flávio; 22% prefeririam Lula Crédito: José Cruz/Agência Brasil

A pesquisa Alfa Inteligência/TMC indica ser precipitado dizer que eleitores de candidatos de direita à Presidência que hoje patinam nas intenções de voto transfeririam a quase totalidade de seus votos para Flávio Bolsonaro (PL) em um segundo turno.

O senador seria o escolhido, na segunda rodada, pela maioria dos que preferem Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos, mas parte significativa desses eleitores rejeita optar pelos prováveis finalistas; outra, minoritária, votaria em Lula (PT).

Os mais resistentes a Flávio são os 7% que, na pesquisa, declararam voto em Caiado. No universo desses eleitores, 53%, em um segundo turno, seguiriam o rumo da direita e digitariam o número de Flávio, mas 22% ficariam com o atual presidente e 23% não optariam por nenhum deles. Ou seja: entre os que hoje preferem o ex-governador de Goiás, 45% rejeitam o candidato do PL.

Entre os 6% dos pesquisados que disseram votar em Zema, o pé atrás em relação a Flávio é menor: 71% ficariam ao lado dele no segundo turno, 10% migrariam para o petista e 18% engrossariam as filas dos nem-nem. No caso dos eleitores de Renan Santos, que representam 3% dos ouvidos, 58% vestiriam a camisa amarela bolsonarista; mas 16% optariam pelo vermelho petista; 22% resistiriam as duas opções cromáticas.

Parcela considerável dos eleitores de Flávio demonstrou que também não engoliria outro candidato de direita em um segundo turno caso Flávio não seja o escolhido para enfrentar Lula: 21% não votariam em Caiado; 20% rejeitariam Zema e 27% deixariam Santos de lado. A pesquisa reforça que uma absoluta rejeição a Lula entre os bolsonaristas: ficou zerado o percentual dos que, entre os eleitores de Flávio, optaria por ele em caso de disputa contra um outros nome da direita.

O segundo turno é um calo do petista. Para tentar resolver a disputa de cara, ele trabalhou contra qualquer outra candidatura de esquerda: para vencer na primeira rodada, um candidato precisa ter mais votos que a soma dos adversários. O problema é que opção facilita uma aglutinação à direita em caso de mano a mano.

No segundo turno de 2022, Lula recebeu muitos dos votos antes atribuídos a Simone Tebet (4.915.423; 4,16% do total). Sua votação adicional, porém, foi menos da metade da obtida, entre as duas rodadas, por Jair Bolsonaro: o petista recebeu 3.086.495 votos a mais; o adversário, 7.134.009.

Segundo a pesquisa Alfa, Lula, em 2026, teria no segundo turno cinco pontos percentuais a mais de votos do que no primeiro; enquanto Flávio agregaria 12. Na convenção do PT, o presidente disse que abandonaria sua versão "paz e amor" e adotaria o perfil "porreta". Seu desafio é ajustar a mudança para não afastar eleitores de uma parcela da direita, minoritária no universo conservador, que será decisiva em outubro.