Blogueiro amigo prejudica Flávio Bolsonaro ao ofender eleitoras
01 de julho de 202600:03Redação
Aliado dos Bolsonaro, Figueiredo disse que mulheres votam mal.Crédito: Reprodução/Youtube
Com suas falas machistas, que desqualificam o voto feminino, o blogueiro Paulo Figueiredo jogou água no chope da campanha de Flávio Bolsonaro, que comemorava o fato de os vídeos com críticas de Michelle Bolsonaro não terem, em uma primeira avaliação, afetado sua pré-candidatura à Presidência.
O blogueiro é, junto com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, um dos responsáveis pelas articulações da pré-candidadura de Flávio junto a autoridades dos Estados Unidos. Ele estava ao lado de Flávio e do irmão autoexilado nos EUA no encontro com Donald Trump.
As críticas de Figueiredo, que também criticou os vídeos de Michelle, foram feitas às vésperas do encontro de Flávio, hoje, com mulheres que se dizem conservadoras. A reunião serviria para o senador tentar aparar eventuais arestas causadas pelas manifestações públicas de sua madrasta.
Tiro no pé
Flávio, Figueiredo e Eduardo com Donald TrumpCrédito: Divulgação
Em vídeo postado em seu canal no Youtube, Figueiredo criticou Michelle e disse que mulheres, especialmente as solteiras, votam muito mal. Em outro vídeo, acrescentou que elas votam "mal pra c******".
Ao lamentar as falas de Figueiredo, um parlamentar do PL ressaltou que um dos problemas de Flávio Bolsonaro é sua impossibilidade de controlar aliados mais próximos, como seus irmãos e o blogueiro, neto do ex-presidente João Figueiredo.
Tradição
Para ele, Lula paga o preço apenas de suas próprias mancadas, geralmente cometidas quando decide falar de improviso. Mas, na conta do senador entrariam também impropriedades de pessoas próximas.
Segundo o político, Flávio não tem como impedir manifestações como a de Figueiredo. Isso, pela própria lógica agressiva do bolsonarismo e pela característica provocadora do chefe do clã, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Então deputado, ele fazia declarações polêmicas para ter espaço na imprensa.
Desvacinado
Até pelo fato de ter sido escolhido pré-candidato pelo pai, e não pelo partido, Flávio Bolsonaro não teria como trocar marcas típicas do bolsonarismo por uma postura mais política e racional.
As falas de Figueiredo representam um novo obstáculo à tentativa do senador de se apresentar como mais moderado que o pai, de ser o Bolsonaro "que toma vacina".
Saiu ao avô
Ao ofender mulheres, Figueiredo honrou a tradição falastrã do avô João Baptista Figueiredo, o último presidente da ditadura. No Planalto, disse que preferia o cheiro do cavalo ao do povo. Também ameaçou prender e arrebentar quem fosse contra o processo de abertura democrática e afirmou que daria "um tiro no coco" se ganhasse salário mínimo.
Voo livre
E a briga no clã chegou ao espaço sideral. Ontem, Michelle repostou um vídeo em que Anthony Garotinho, ex-governador do Rio, diz ter visto imagens da tal Noite das Astronautas, festa, digamos, liberal promovida por Vorcaro nos EUA, em que modelos estariam nuas e apenas com capacetes. Segundo Garotinho, políticos também estavam nus.
Temer de cinema
Diferentemente do PL, o MDB não quis saber de se meter com cinema. Recusou o pedido de patrocínio do documentário sobre Michel Temer, "963 dias — A história de um presidente que recolocou o Brasil nos trilhos", de Bruno Barreto. A produção executiva do filme é do publicitário Elsinho Mouco, marqueteiro de Temer.
Sem opção
No filme, Temer admite que não era o nome favorito de Lula para ser vice de Dilma Rousseff. O petista chegou a pedir que o emedebista indicasse três nomes para compor a chapa. Ele respondeu: Michel, Temer e Lulia (este, seu último sobrenome). Entrevistada pela produção, a deputada Tabata Amaral chama Temer de estadista.
O generoso Daniel
Por falar nisso: o filme sobre Temer também recebeu dinheiro abençoado por Daniel Vorcaro, então generoso no financiamento de obras cinematográficas que exaltassem ex-presidentes da República. Uma das cotas da produção, no valor de R$ 1 milhão, foi comprada pelo fundo Moriah Asset, ligado à família do ex-dono do Master.
Inimigo íntimo
Às turras com o PT, partido do qual é um dos vice-presidentes nacionais, o prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, levará um grande susto. O favorito para coordenar a campanha de Lula no estado é seu vice-prefeito, Joãozinho Maurício, com quem está rompido. Tem mais: depois da eleição, Quaquá deverá ser expulso do partido.
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