Correio da Manhã
Fernando Molica

Pesquisa preocupa petistas, que temem caso Jaques Wagner

Pesquisa preocupa petistas, que temem caso Jaques Wagner
Lula vê vantagem sobre Flávio Bolsonaro diminuir Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A nova pesquisa BTG/Nexus gerou preocupações no PT ao apontar para uma redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) e caracterizar um empate técnico.

Há um particular temor em relação a eventuais danos causados pela revelação de suposto envolvimento de um petista importante — Jacques Wagner (BA), até a semana passada líder do governo no Senado — no escândalo do Banco Master.

No levantamento anterior, publicado há duas semanas, o petista tinha, em um eventual segundo turno, uma vantagem de seis pontos sobre o adversário que, agora, caiu pela metade.

Na avaliação de integrantes do partido, o resultado mostra que, apesar das dificuldades que Flávio Bolsonaro enfrenta desde a segunda quinzena de maio, a batalha está longe de ser considerada vencida e que a polarização tem força para segurar muitos desgastes.

 

Democratização de danos

Democratização de danos
Wagner: governo avalia alcance das acusações Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado

O maior medo entre petistas é de que o caso de Wagner tenha o efeito de democratizar os danos relacionados ao caso Master, escândalo que estava colado na testa de Flávio Bolsonaro desde a revelação de que ele pedira dinheiro ao então dono do banco, Daniel Vorcaro.

A eventual participação em maracutaias do senador baiano teria o poder de reforçar junto a boa parte do eleitorado de que políticos são todos iguais e que representantes da esquerda também teriam sido beneficiados.

Queda no Nordeste

O efeito causado pela operação policial contra Wagner ajudaria a explicar um dos pontos da pesquisa, a queda de cinco pontos de Lula no Nordeste.

No levantamento anterior da BTG/Nexus, o petista tinha 66% das preferências na região, percentual que caiu para 61%. Quarto maior colégio eleitoral do país, a Bahia, em 2022, deu 72% dos votos válidos para o atual presidente.

Manter e, se possível, ampliar a vantagem no Nordeste é fundamental para o plano de reeleição de Lula.

Sem 2 de Julho

Para evitar reforçar sua ligação com Wagner, Lula decidiu não participar dos festejos que marcam, no dia 2 de julho, a vitória de tropas baianas sobre portugueses que queriam impedir a independência do país.

O presidente irá à Bahia amanhã, participará de eventos como a reinauguração do Teatro Castro Alves e deverá seguir para o Rio Grande do Norte.

Toque de retirada

Oficialmente, o presidente da República não participará de atos relacionados ao 2 de Julho para evitar exposição ao sol, já que no fim de abril passou por cirurgia para retirar um câncer de pele que se manifestou no couro. Desde então, tem usado chapéu. Mas ele quer mesmo é evitar exposição ao lado do velho amigo Wagner, candidato à reeleição para o Senado.

Ligações perigosas

A pesquisa traz dados que ajudam a explicar as preocupações petistas com o Master. Para 35% dos entrevistados, políticos ligados a Lula e a Flávio Bolsonaro têm vínculos com o escândalo. Para 32%, o problema está só com o grupo político do filho de Jair Bolsonaro, mas 23% identificam o caso com aliados do presidente.

Desconhecimento

O detalhe é que 82% dos ouvidos já tinham, pelo menos, ouvido falar das conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro. Mas o índice de algum conhecimento da operação policial contra Wagner é de 75%. Ou seja, o caso ainda pode ser conhecido por um número maior de eleitores e gerar problemas para a candidatura de Lula.

Desconfiança

Outro dado da pesquisa indica que grande parte da população que recebe o Bolsa Família não ficou convencida com a defesa enfática que, recentemente, Flávio Bolsonaro fez do programa. Entre esse público, a intenção de voto em Lula subiu de 62% para 68%; já a preferência pelo pré-candidato do PL caiu de 20% para 13%.

Os nem‑nem

De acordo com o levantamento, a vantagem de Lula entre os eleitores que se declararam não polarizados cresceu: em um segundo turno, 46% votariam nele; 37% em Flávio. Na pesquisa anterior, os percentuais eram, respectivamente, 43% e 37%. Esses eleitores representariam 20% do total de brasileiros aptos a votar.

Os do contra

Entre os que rejeitam Lula e os integrantes da família Bolsonaro, a vantagem do primeiro caiu oito pontos — de 48% para 40%. Já o percentual de Flávio oscilou um ponto para cima (de 29% para 30%). Os anti-Lula e anti-Bolsonaro são, segundo a pesquisa, 9% dos brasileiros. Eles e os não polarizados deverão decidir a eleição.