Nas redes, petistas tratam de 'prestigiar' Jaques Wagner
22 de junho de 202600:03POR
FERNANDO MOLICA
Líder do governo, senador é suspeito no caso MasterCrédito: José Cruz / Agência Brasil
O gabinete do ódio petista entrou em campo ainda na sexta-feira para tentar constranger o líder do governo no Senador, Jaques Wagner (BA), a pedir para sair.
Oficialmente, Wagner está prestigiado pelo PT. O presidente Lula ligou duas vezes para seu ainda líder, e, segundo o relato deste, manifestou solidariedade e não indicou que vai mexer no seu cargo.
O presidente do partido, Edinho Silva, disse que o partido confia no senador, que ele é "depositário" de toda a confiança. Mas, em tempos de Copa, vale lembrar que, nas décadas de 1960 e 1970, dirigentes de clubes diziam que estavam "prestigiados" técnicos que, no dia seguinte, iam pra rua.
O caso Messias
Petistas inundaram redes sociais de críticas a Wagner. Os posts não se limitaram às suspeitas de que ele recebeu dinheiro e vantagens do Banco Master — e o risco que o fato representa para a campanha de reeleição de Lula.
Muita gente lembrou que Wagner tomou bola entre as pernas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na derrota da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
PL da Dosimetria
Alcolumbre derrotou o governo na indicaçao de MessiasCrédito: Carlos Moura/Agência Senado
Petistas também fazem questão de recordar que, em dezembro passado, Wagner deu aval para que o projeto de lei que diminui as penas de condenados por golpismo fosse votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O chamado PL da Dosimetria acabou aprovado pelo Congresso.
Setores mais à esquerda do PT também não perdoam o líder de Lula por, em pronunciamento, ter criticado o governo de Israel, mas falado em "atrocidades feitas pelo terrorismo do Hamas".
Solidariedade limitada
Quadro histórico do PT, ex-governador da Bahia, citado algumas vezes como possível candidato ao Planalto, Wagner tem prestígio acumulado com Lula.
Mas o presidente, outras vezes — como no Mensalão — mostrou que sua solidariedade tem limites. Vice-líder do governo na Câmara, Rogério Correia (MG) já declarou que Wagner deveria se afastar do cargo.
Novo amigo
Ameaçado de não conseguir a reeleição para o Senado, o Randolfe Rodrigues (PT-AP) virou amigo de infância de Alcolumbre, seu ex-adversário. Na sexta, o petista publicou em seu Instagram uma celebração ao aniversário do presidente do Senado ao lado de uma imagem em que ambos estavam abraçados.
Reações
Randolfe desejou "saúde, felicidade e sabedoria" a Alcolumbre e ressaltou seu trabalho de "extrema importância para o Amapá". O post gerou muitas reações negativas, seguidores do petista lembraram que o presidente do Senado tem atrasado a tramitação do fim da escala de trabalho seis por um.
Estabilização
Apesar de ter mostrado uma consolidação da vantagem de quatro pontos de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, a pesquisa do Datafolha foi recebida com alívio entre partidários do principal candidato da oposição. Isso, por alguns motivos: o principal é ter apontado para uma estabilização.
Sem efeito
Ou seja: pouco mais de um mês depois da revelação de seu pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, Flávio parou de cair; e, Lula, de crescer. Isso, mesmo depois de, no início de junho, logo depois da visita do senador fluminense a Donald Trump, o governo norte-americano anunciar possíveis novas tarifas contra o Brasil e criticar o Pix.
Viabilidade
O fato de nenhum outro candidato da oposição ter subido reforça a percepção de que Flávio é o único nome no grupo. A operação contra Jaques Wagner também deu aos bolsonaristas a expectativa de diluir danos do caso Master — isto, claro, se não surgir outro fato novo contra o filho de Jair.
Soma zero
Petistas avaliam que a estabilidade revela um empate entre fatos gerados pelas candidaturas ao longo de junho: atacado por Flávio ao se mostrar contrário à decisão dos EUA de classificar como terroristas organizações criminosas, o Planalto elevou o tom do discurso de soberania. Um fato teria anulado o outro.
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