CORREIO BASTIDORES

Rueda e a lei de murici aplicada a Flávio Bolsonaro

Rueda e a lei de murici aplicada a Flávio Bolsonaro
Presidente do União alertou deputados Crédito: Reprodução

Presidente do União Brasil, o advogado Antônio Rueda usou o princípio da lei de murici — aquela do cada um que cuide de si — para se referir aos problemas enfrentados pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência.

Em conversa com deputados federais, na terça-feira, na sede do partido, em Brasília, Rueda foi claro ao dizer que os integrantes do União Brasil devem cuidar de suas próprias vidas, independentemente do destino da candidatura de Flávio.

Não houve, por parte dele, uma indicação de rompimento ou de busca de outro cabeça de chapa. Mas o recado é de que o problema não é do União.

 

União relativa

O União integra com o PP a federação União Progressista que, em tese, será aliada do PL na eleição nacional.

Isso, porém, não implica alinhamento automático nos estados, principalmente no Nordeste, onde a popularidade do presidente Lula (PT) é muito alta.

Os problemas gerados pela ligação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, apenas aumentaram as variáveis em torno da aliança com o pré-candidato do PL.

A linha de corte

A linha de corte
Flávio: aliados temem queda acentuada Crédito: Andressa Anholete / Agência Senado

Uma das testemunhas do conselho de Rueda disse ao Correio Bastidores que as próximas pesquisas serão decisivas para a manutenção da candidatura de Flávio Bolsonaro. A do Datafolha deverá ser divulgada na sexta ou no sábado.

Segundo ele, há até a expectativa fique abaixo dos 40 pontos na simulação de um segundo turno. Isso, na opinião do parlamentar, seria decisivo para a busca de outro candidato (no Datafolha de semana passada, Flávio e Lula empataram com 45%).

Caiado e Michelle

Na pesquisa Atlas/Intel divulgada no último dia 19, Flávio ficou com 41,8% no segundo turno. Lula chegou a 48,9%. Segundo o Vox, o senador tem 38,1%; o petista, 46,8%.

No União, o nome de Ronaldo Caiado (PSD), ex-integrante do partido, é o mais falado como opção a Flávio. Mas há os que defendem o lançamento de Michelle Bolsonaro — o problema é a falta de confiança em relação a ela.

Forte demais

A confirmação de uma tendência de queda acentuada do pré-candidato do PL leva a uma outra questão: a possibilidade de Lula vencer no primeiro turno. Isso daria uma força excessiva ao petista e enfraqueceria o poder de barganha de partidos em discussões sobre apoio na rodada decisiva.

Com jeitinho

Mesmo defendores da substituição de Flávio ressaltam que o processo teria que ser feito com muito jeito, principalmente para não despertar a ira da família Bolsonaro e de seus seguidores. Estes, estimados em pelo menos 25% do eleitorado, são decisivos para que a oposição tenha alguma chance de vitória.

Favelas e polícia

Por falar em pesquisa. Levantamento realizado por entidades de favelas, entre elas, A Rocinha Resiste e a Redes da Maré, apurou que 56% dos moradores de quatro dessas comunidades discordam de operações policiais feitas em seus territórios. Outros 17% mais discordam do que concordam.

Outra forma

Do total dos ouvidos, 68% afirmaram que tais operações deveriam ser feitas de outra forma; 24% foram mais radicais e declararam que essas incursões sequer deveriam ser realizadas. A maior condenação — 79% — foi encontrada entre jovens de 18 a 29 anos; a menor — 66% — foi manifestada por idosos com 70 anos ou mais.

Pretos

Moradores que se declararam pretos foram os que mais rejeitaram as incursões policiais, 81%. A condenação por parte dos pardos foi de 71%; dos brancos, 69%. A rejeição total ou parcial das operações é maior entre mulheres (75%) do que homens (72%). A pesquisa ouviu 4.080 pessoas, moradoras de quatro favelas.

Os medos

Do total, 78% disseram ter medo da polícia durante as incursões; 59% afirmaram não temer traficantes armados: para os pesquisadores, isto pode estar relacionado a limites na liberdade de expressão em favelas, à imprevisibilidade das operações e a uma conformidade com a presença cotidiana de criminosos.