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Pesquisa: Flávio perde pontos em setores bolsonaristas

Pesquisa: Flávio perde pontos em setores bolsonaristas
Senador viu pontos migrarem para adversários Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

Alguns detalhes da pesquisa Atlas/Bloomberg indicam que Flávio Bolsonaro perdeu eleitores em universos alinhados ao bolsonarismo e que demonstravam aprovação à sua candidatura à Presidência.

Em alguns casos, mas em nem todos, a mudança beneficiou o presidente Lula (PT). Quem também lucrou foi Renan Santos, pré-candidato do recém-fundado Missão, partido do MBL, Movimento Brasil Livre.

As intenções de voto no petista cresceram entre eleitores que têm renda familiar de dois a cinco salários mínimos. Essa alteração, porém, pode estar ligada também ao lançamento da nova versão do programa Desenrola e não apenas ao caso que une Flávio ao Master.

 

A baixa classe média

Em abril, o pré-candidato do PL tinha 53,9% de preferência entre pessoas de famílias que recebem de dois a três salários mínimos. Lula estava com 34,4%. Em maio, a situação mudou: Flávio ficou com 34,5% e o presidente pulou para 43%.

Na faixa seguinte, de três a cinco salários, situação foi parecida: em abril, Flávio tinha 47% contra 39,1% de Lula; em maio, caiu para os mesmo 39,1%, o petista foi para 44,1%.

MBL tira votos do PL

MBL tira votos do PL
Santos herdou intenções de votos dos mais jovens Crédito: Reprodução / Redes sociais

Já entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, quem se beneficiou da queda de Flávio Bolsonaro foi Renan Santos. Entre o mês passado e o atual, o pré-candidato do PL saiu de 36,6% das preferências para 24,5%.

Houve praticamente uma inversão com o representante do Missão. Este saiu de 22,4% para 36,1%. Lula ficou estacionado: tinha 28,5%, passou para 28,2%.

Um dos fundadores do MBL, Santos tem um discurso focado no liberalismo e empreendedorismo, critica o Bolsa Família e defende medidas duras contra o crime.

Queda entre evangélicos

Outro dado importante da pesquisa é a queda na intenção de votos de Flávio entre os evangélicos, base de sustentação do bolsonarismo. Ele tinha 58,6% e passou para 50,9%.A situação de Lula no segmento pouco se alterou, foi de 23,7% para 25%, dentro da margem de erro. Quem subiu muito foi Romeu Zema (Novo), que pulou de 3,1% para 7,6%. Santos caiu, de 10,1% para 8,4%.

Dez dias

Depois da divulgação da pesquisa e antes da revelação da visita que Flávio fez a Vorcaro, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), minimizou os números. Insistiu que só em dez dias se poderá ter uma noção do impacto do caso Master. "Em plena crise, a pesquisa é contaminada", disse.

Ele fica

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) negou qualquer possibilidade de o primogênito de Bolsonaro desistir de concorrer à Presidência. Classificou a relação de Flávio com Vorcaro de questão privada, o que para ele, não seria nada. "O problema é o presidente (Lula) ser conselheiro de Vorcaro", afirmou.

Prudência

Apesar das negativas, a pesquisa e o novo capítulo do caso Vorcaro aumentaram o grau de preocupação no PL. Há a expectativa do novo Datafolha, que deverá ser divulgado ainda nesta semana. Mas mesmo que a queda de Flávio seja confirmada, há o cuidado de evitar tomar medidas precipitadas.

Troca

Já setores do Centrão comemoram: a crise em torno do longa-metragem sobre Jair Bolsonaro tirou o foco do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de uma operação da Polícia Federal e suspeito de receber propina de Vorcaro e de tentar favorecer o banco. O problema maior agora está nas mãos do próprio pré-candidato do PL.

Centrão espera

De um modo geral, os partidos que integram o Centrão decidiram esperar. Ainda têm muito tempo, dois meses, para o início das convenções partidárias que definirão candidaturas e alianças. O prazo vai até 5 de agosto. Até lá, há a expectativa de novos e determinantes fatos ocorram e mudem ainda mais o jogo.

Lucro

No limite, a situação é ótima para partidos que não são de centro, de esquerda ou de direita. Os problemas de Flávio e busca de alianças por parte de Lula aumentam o cacife de quem pode ir para um lado ou para o outro. Ou ficar onde está — e integrar o futuro governo, qualquer que seja o presidente.