CORREIO BASTIDORES

Líder do PL: esperar para ver tamanho da crise

Líder do PL: esperar para ver tamanho da crise
Sóstenes diz que é preciso ser frio na política Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL) disse à coluna que será preciso esperar cerca de dez dias para avaliar o impacto da revelação das conversas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.

Segundo ele, nenhuma decisão poderá ser tomada antes disso. "É preciso ter muita frieza na política, avaliar o tamanho do estrago", declarou.

Apesar de afirmar que o pedido de dinheiro para o filme sobre Jair Bolsonaro "não teve impacto algum", Sóstenes admitiu a percepção de um "sentimento de dúvida" entre evangélicos e bolsonaristas e "um pé atrás" por parte de eleitores centristas. Mas nada, frisou, que supere a rejeição ao presidente Lula (PT).

 

Incômodo

Incômodo
O ex-banqueiro Vorcaro, que negociou com Flávio Crédito: Reprodução / Internet

Ele reconheceu o incômodo gerado pelo fato de o senador fluminense, pré-candidato a presidente pelo PL, não ter antecipado o problema para correligionários mais próximos.

Para Sóstenes, a cláusula de confidencialidade que, segundo Flávio, está no contrato com investidores, não impediria a revelação desses contatos com Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Quatro bombas petistas

Na avaliação do líder do PL, o "pior é o que não se sabe". Ele disse que, nos corredores do Congresso Nacional, fala-se que o PT teria "quatro bombas" contra a oposição — a da semana passada teria sido a primeira.

Sóstenes frisou que, pelo seu "feeling" teria sido melhor que o episódio não tivesse acontecido. Ressalvou que as explicações posteriores mostram que o problema não é tão grave. Isto porque, segundo ele, o dinheiro não era do Master, mas de investidores. Vorcaro, assim, teria atuado como captador de recursos.

Pajelança

Hoje, o PL vai promover uma reunião entre Flávio Bolsonaro e os integrantes das bancadas de senadores e de deputados federais do partido.

Antes do encontro deverá ser divulgada a pesquisa Atlas-Intel, a primeira ser feita depois da divulgação dos áudios que mostram o pré-candidato a presidente pedindo recursos a Vorcaro.

Comitês do PSD

O pra lá de experiente Gilberto Kassab não exigiu que candidatos a governos estaduais de seu PSD ou apoiados pelo partido fiquem ao lado de Ronaldo Caiado. Mas, apesar da liberação, decidiu criar comitês conjuntos para fortalecer o ex-governador goiano, o postulante ao Palácio Planalto que escolheu.

Com Caiado

Assim, vai criar no Rio um comitê Eduardo Paes-Caiado — filiado ao PSD, o ex-prefeito carioca já anunciou e reiterou que apoiará a reeleição de Lula. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) estará ao lado de Flávio Bolsonaro. Mas isso não impedirá o comitê Tarcísio-Caiado.

Embarcados

Estar com pés em várias canoas disponíveis não chega a ser uma novidade para Kassab. Até outro dia, ele integrava o secretariado de Tarcísio ao mesmo tempo em que seu partido mantinha — e mantém — três ministérios no governo Lula. Agora, ele faz com que aliados não desprezem outras embarcações.

Dilema para Paes

A eventual desistência de Flávio Bolsonaro gerada pela crise com o Master e a eventual bênção da oposição à candidatura de Caiado complicariam a situação de Eduardo Paes no Estado Rio. Seria difícil para ele sustentar o apoio a Lula diante de um eventual crescimento nas pesquisas do ex-govenador goiano, que é do seu partido.

Montaria

Disposto a não arrumar problema com os eleitores bolsonaristas, Caiado mantém a posição divulgada na semana. Não faz carga contra Flávio, diz que é preciso dar explicações e ressalta a necessidade de união das oposições contra Lula. Se o cavalo passar — não precisa ser branco como em 1989 —, ele monta.

Cuidados

Na avaliação do ex-governador, não faria sentido brigar com 25% do eleitorado, percentual fechado com o bolsonarismo. Ele teme também que um enfraquecimento de candidatos da direita viabilize a vitória de Lula no primeiro turno (o que ocorrerá se ele tiver metade mais um dos votos).