Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Planalto confia em Alcolumbre para aprovar Jorge Messias

Advogado-Geral da União será sabatinado hoje | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Quem conhece bem o Senado arrisca dizer que o encontro sigiloso, semana passada, entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e o advogado-geral da União, Jorge Messias, selou a aprovação do nome deste para o Supremo Tribunal Federal.

O Palácio do Planalto, porém, evita comemorações antecipadas. Avalia que Alcolumbre é ainda mais escorregadio que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e tem sempre uma lista quase interminável de exigências para aceitar fechar um acordo.

O governo, porém, confia que a derrota de Messias também não seria boa para Alcolumbre, que compraria uma briga desse tamanho em ano eleitoral.

 

Esperança

Para um integrante do governo, Alcolumbre apenas repetiu o script de outras vezes ao complicar uma negociação para, depois, obter concessões.

O problema é que, dessa vez, o Planalto não fez o que o presidente do Senado queria, a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o STF. Como o caroneado se recompôs com o governo, há a expectativa de que Messias seja ungido pelo manda-chuva do Senado.

Corporativos

Portinho: mecanismo de defesa de senadores | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), porém, afirma que o fato de Pacheco ter sido colocado para escanteio despertou um sentimento corporativo por parte de colegas, uma espécie de mecanismo de defesa.

Isso, até porque o senador por Minas Gerais teve uma atuação importante para o atual governo quando exercia a Presidência do Senado.

"Ele se desgastou politicamente para defender isso tudo isso aí e não foi indicado", ressalta. Segundo ele, a oposição está unida contra Messias.

Efeito Viviane de Moraes

Outro problema de viés corporativo, frisa Portinho, é a decisão da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de processar o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Ela afirma que o parlamentar associou seu escritório de advocacia ao PCC. Os filhos dela, sócios da banca, também são autores do processo por danos morais.

Em nome do pai

A decisão do PT de apoiar candidatos indicados por Hugo Motta na Paraíba explica muito a boa vontade do presidente da Câmara com o governo. Entre os agraciados pelo petismo está o pai de Motta, Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos que será candidato ao Senado.

Apoio à família

O outro candidato ao Senado a ser abençoado pelo PT é o ex-governador João Azevêdo (PSB), que renunciou em abril e foi sucedido por Lucas Ribeiro, que tentará se manter no governo, com com o apoio petista. Ele é filho da senadora Daniella Ribeiro e sobrinho do deputado Aguinaldo Ribeiro. Todos são do PP.

Na mão

Para apoiar a chapa formada, principalmente, pelas famílias Wanderley/Motta e Ribeiro, o PT deixou na mão o aliado Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tentará a reeleição para o Senado. O empenho de Motta em votar o fim da jornada seis por um indica que o sacrifício petista foi aceito pelo presidente da Câmara.

Centrão na pista

Por falar nisso. A relação do governo com o Centrão tende a entrar em outra crise com a revelação de que a Polícia Federal abriu inquérito para investigar eventual contrabando em voo ocorrido no ano passado. A bordo estavam Motta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

Sem raio-X

Eles, em jatinho do empresário Fernando Oliveira Lima, o Fernandim OIG, estiveram no paraíso fiscal de San Martin, uma ilha do Caribe que tem cerca de 90 quilômetros quadrados, o dobro da carioca Ilha do Governador. O problema é que, na volta ao Brasil, parte da bagagem não passou pelo aparelho de raio-X.

Amigos

Entre os amigos de Fernandim OIG está o ministro Nunes Marques, do STF, que também já pegou carona em avião do empresário, defendido por Nogueira em seu depoimento na CPI das Bets. Ele discutiu com a colega Soraya Thronicke (PSB-MS), que reclamou da dificuldade de encontrar o depoente.