Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Dirigente do PT diz que fim da escala 6 x 1 é 'demagogia'

Para Quaquá, mudança não vai alterar economia | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Um dos vice-presidentes nacionais do PT, o prefeito de Maricá (RJ), Washington Quaquá, classifica de "demagogia" a proposta de fim da escala de seis dias trabalhados por um de folga.

Ele disse ao Correio Bastidores ser favorável à redução da jornada, mas ressalvou que isso não tem importância econômica. "Vai ser bom para o trabalhador, mas não terá impacto no desenvolvimento nacional", afirmou.

Para ele, seu partido precisa entender a nova realidade do trabalho, o que não estaria conseguindo fazer. "Não dá para querer assinar carteira de entregador de IFood", critica, numa referência à proposta de regulamentação de trabalho por aplicativos.

 

Aposta no futuro

Segundo o prefeito, a esquerda não pode abrir mão de "vender" — ou seja, oferecer — um futuro, algo que seja convicente para a população.

Para ele, a nova realidade do trabalho passa pela economia: "Revolução é, sobretudo, mudar a economia, criar formas de organização da vida, fazer com que as pessoas entrem no mercado de trabalho", frisa. Afirma que o trabalhador não pode ficar desassociado da economia.

'Bobagens' do PT

Prefeito criticou apoio a Erika Hilton | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Na avaliação do dirigente petista, o presidente Lula será reeleito, se seu próprio partido "não atrapalhar". "O PT tem que parar de fazer bobagens", aconselha.

Entre o que classifica de erros está o foco, segundo ele, em políticas identitárias, como o apoio à eleição da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que é trans, para presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara.

Para Quaquá, o PT ficou mais voltado para a classe média, o que ofuscou o trabalho do governo de melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

Royalties: mudança limitada

Prefeito da cidade campeã no recebimento de royalties do petróleo, Quaquá defende que mudanças na distribuição desses recursos passem a valer apenas para a exploração de futuros poços. Para ele, mudar a distribuição dos atuais royalties seria uma quebra de contrato fatal para estados e municípios. O Supremo Tribunal Federal vai julgar as alterações no dia 6.

ICMS de volta

Quaquá ressalta que os royalties começaram a ser pagos para compensar uma mudança que beneficiou São Paulo: a cobrança, no estado de destino, e não no da produção, do ICMS sobre petróleo e energia elétrica. "Se for mudar, têm que devolver o ICMS para os estados produtores", reclama.

Independente

Apesar da polarização entranhada no país, a pesquisa Quaest indica revela que 40% dos eleitores fluminenses disseram preferir que o futuro governador seja independente, e não aliado a Lula ou a Jair Bolsonaro. Do total, 29%, porém, preferem que o político a ser eleito seja ligado ao ex-presidente; 26%, ao atual.

Queda

Apesar de liderar a pesquisa para o Senado (em empate técnico com Benedita da Silva, do PT), o o ex-governador Cláudio Castro viu sua popularidade despencar. Os índices voltaram a patamares de fevereiro de 2025, antes da operação policial de outubro: 122 pessoas foram mortas e a aprovação de Castro disparou.

Disputas

A pesquisa reforçou a chance de o ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi (PL), que ficou com 6% das intenções de voto, herdar a vaga de Castro caso este não possa mesmo concorrer. Alessandro Molon (PSB) e Pedro Paulo (PSD), aliados de Eduardo Paes (pré-candidato ao governo) disputam quem ficará com a segunda vaga ao Senado.

Favorito

Por falar nisso: Quaquá, citado nas primeiras notas de hoje, defende que esta segunda vaga fique com Pedro Paulo, político muito ligado a Paes. Segundo ele, é importante que este outro candidato seja alguém "mais ao centro", e não outro representante de partido de esquerda. Quaquá manda no PT do Rio.

Isolamento

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) nega divergências profundas entre os três pré-candidatos de direita à Presidência: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). "Está tudo bem coordenado. Ao contrário, Lula é que está isolado, vai encarar três adversários qualificados", afirma.