Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | TCU: opositores elogiam articulação do governo

Odair Cunha foi escolhido para integrar tribunal | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Até integrantes da oposição elogiam a atuação do governo no processo que culminou com a aprovação do deputado Odair Cunha (PT-MG) para uma vaga no Tribunal de Contas da União.

Para um deputado do PL, o Palácio do Planalto, "dessa vez, "fez tudo direitinho". O jogo correto incluiu a decisão de travar, no fim do ano passado, o pagamento de emendas parlamentares indicadas por comissões da Câmara e do Senado, que não são execução obrigatória.

A quitação só ocorreu pouco antes da votação na Câmara. O governo também aproveitou esse período para cadastrar novas emendas de comissão, o que adoçou a boca de deputados e senadores.

 

Motta e PT

A votação também serviu para reforçar os laços do PT com o presidente da Câmara, Hutto Motta (Republicanos-PB). Ao trabalhar pela aprovação de Cunha, ele cumpriu o acordo feito com os petistas antes de sua eleição para a presidência.

A escolha do deputado mineiro também faz com que Motta procure viabilizar o apoio do PT para sua reeleição, em 2027.

Bonzinho

Hugo Motta: mãos esticadas para o PT | Foto: Marina Ramos/ Câmara dos Deputados

Além de pedir votos para o petista, Motta procurou dificultar a unificação de candidaturas da oposição. Como não há segundo turno nesse tipo de escolha, a dispersão de votos seria favorável à candidatura favorita.

Não houve a unificação — outros quatro candidatos participaram —, mas Cunha ganharia de qualquer jeito: obteve 303 votos, contra 149 de seus adversários.

Apesar de petista, o futuro ministro do TCU tem bom trânsito entre partidos do Centrão: "Ele não é de todo ruim", ironiza o deputado do PL.

Prazo fatal

Por falar no PL. O partido avalia que o ex-governador Cláudio Castro não vai conseguir concorrer ao Senado — foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Mas, por enquanto, o que se diz é que será dele a decisão de tentar a candidatura com recursos à Justiça. Castro terá até julho, mês das convenções partidárias, para definir sua situação. Depois disso, a bola volta pro PL.

Comemoração

A aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, da admissibilidade das PECs que tratam da redução da jornada de trabalho, com o fim da escala seis por um foi muito comemorada pelo governo. Na avaliação do Planalto, a oposição ficará em situação delicada se insistir contra a medida.

Em xeque

Para o Planalto, trata-se da mesma lógica que garantiu a aprovação do fim da cobrança de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. A oposição sabe que a medida deveria favorecer o presidente Lula, mas também tinha receio de ficar contra ela, ainda mais com a proximidade das eleições.

Bola pro lado

Alinhado com empresários, o PL quer uma solução alternativa, pretende protelar a tramitação das propostas de emenda à Constituição até meados de junho. As festas juninas, a Copa do Mundo e campanha eleitoral tratariam de mandar as PECs para escanteio sem gerar desgaste para os parlamentares.

Correria

Hugo Motta, por sua vez, diz que vai instalar logo a comissão especial que analisará as propostas e definir um prazo para a conclusão dos trabalhos, o que inclui a consolidação de uma proposta unificada de texto. Depois de aprovada na Câmara, a PEC terá que passar pelo Senado e driblar o prazo curto num ano de trabalhos limitados.

Alternativa

Motta diz que insistirá com as PECs, apesar de o governo ter enviado um projeto de lei com o carimbo de urgência para o Congresso e que trata do tema. Caso não consiga barrar a proposta, ou ache arriscado demais ficar contra a mudança, a oposição tentará emplacar compensações que favoreçam empresários.

Negociação

O Palácio do Planalto não descarta concordar com algum tipo de benefício para empresas, mas teme complicar ainda mais o desequilíbrio fiscal. De acordo com dados oficiais, 37,2 milhões de trabalhadores cumprem jornadas de trabalho superiores a 40 horas semanais, 74% dos celetistas.