Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Desempenho ruim em Minas complica candidatura de Zema

Ex-governador teve menos de 5% em seu estado | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A pesquisa AltlasIntel feita em Minas Gerais abalou de vez a pré-candidatura do ex-governador Romeu Zema (Novo) à Presidência da República.

Além de ter ficado em terceiro lugar entre eleitores do estado que acabou de governar por mais de sete anos, Zema conquistou um percentual muito abaixo dos dois primeiros colocados, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

O petista, em Minas, ficou com 43,7% das intenções de voto; o senador fluminense, 40,4%; o pré-candidato do Novo, 4,7%.

O detalhamento da pesquisa mostra que Zema não chegou a 10% das preferências em nenhuma faixa de gênero, idade, escolaridade, renda ou religião.

 

Impasse

O péssimo desempenho de Zema estimula os que defendem a desistência de sua candidatura e sua ida, como candidato a vice, para a chapa encabeçada por Flávio.

Mas há alguns problemas: o ex-governador resiste à ideia e o PL sequer sinalizou que aceitaria sua presença.

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto quer que a vaga fique com uma mulher, preferencialmente, a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Identificação

Apoio a Bolsonaro marca imagem de Zema | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para um deputado do PL, a identificação de Zema e do Novo com o Jair Bolsonaro impede que o ex-governador tenha um discurso próprio. Algo que reforça a ironia de que o Novo é o "bolsonarismo de sapatênis".

Também de direita, outro pré-candidato, Ronaldo Caiado (PSD), vem tentando, ao fazer críticas a Flávio Bolsonaro, mostrar diferenças em relação ao clã.

Mais radical tem sido Renan Santos (Missão, partido nascido do MBL). Ele tem batido muito no pré-candidato do PL e busca fazer declarações violentas e polêmicas.

O efeito Lula

A pesquisa trouxe outro alento à esquerda ao tratar da disputa pelo governo mineiro. O senador Rodrigo Pacheco, agora no PSB, chegou a 28,6%, perto do líder, senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), com 32,7%.

Mas, ao ser apresentado como "apoiado por Lula", Pacheco subiu para 37,9% e ficou à frente de Cleitinho, que alcançou 34,2%.

Precedente 1

A lentidão da Justiça Eleitoral para resolver o caso do ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL) só perde para um episódio ocorrido no fim de 1950, quando uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral reconheceu a vitória de Neto Campelo na eleição de 1947 para o governo de Pernambuco.

Precedente 2

A decisão chegou tão tarde que sequer deu tempo de Campelo assumir o governo, que continuou a ser exercido por Barbosa Lima Sobrinho (aquele mesmo, que viraria presidente da Associação Brasileira de Imprensa) até janeiro de 1951. Barbosa entregou o cargo para seu sucessor, Agamamenon Magalhães.

Confusão

A situação no Estado do Rio está tão complicada que fica difícil usar conceitos de "situação" e "oposição", já que o governo vem sendo exercido pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto de Castro (que, pra piorar a confusão, tem o mesmo sobrenome do ex-governador).

Emedebista

Mas vamos tentar: o deputado Rosenverg Reis (MDB) quer se candidatar a presidente da Assembleia Legislativa em nome do grupo que fazia oposição a Cláudio Castro. Ele é irmão de Washington, bolsonarista e presidente do MDB-RJ, e de Jane Reis, pré-candidata a vice-governadora na chapa de Eduardo Paes (PSD).

Esquerda

Deputados do PT, PSB e PCdoB, tentam conseguir apoio para outro nome — o preferido é o líder do PDT, Vitor Júnior. Mas o Psol, que tem cinco deputados, fala em candidatura própria, o que complicaria de vez a possibilidade de a esquerda, minoritária, conseguir evitar a derrota para Douglas Ruas (PL).

Garotinho

Mas, no Rio, tudo pode ficar ainda mais complicado. O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) foi às redes sociais admitir que é candidato a deputado federal, mas que pode tentar o Palácio Guanabara. Isso vai depender, afirmou, de seu desempenho nas próximas pesquisas eleitorais.