Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Popularidade de Haddad com jovens põe PT pra pensar

Ex-ministro lidera entre eleitores de até 34 anos | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O bom desempenho de Fernando Haddad (PT) entre eleitores mais jovens ouvidos pela pesquisa Atlas/Estadão gerou uma discussão em setores da esquerda preocupados com a dificuldade do presidente Lula nesse segmento.

De acordo com o levantamento, focado na disputa pelo governo paulista, em um eventual primeiro turno, Haddad ganharia de Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, nas faixas que englobam eleitores de 16 a 34 anos.

Divulgada semana passada, uma pesquisa nacional Atlas mostrou que, mesmo líder no primeiro turno, Lula perderia para Flávio Bolsonaro (PL) entre os mais jovens.

 

Mudanças de hábito

Seria tecnicamente errado comparar pesquisas de abrangência diversa — uma é regional; outra, nacional —, feitas em períodos diferentes.

Mas a boa performance de Haddad entre os jovens paulistas indicaria, pelo menos, uma alternativa de adaptação de discurso de Lula, principalmente em relação a expectativas de trabalho a serem oferecidas, algo que fosse além da busca de carteira assinada.

Abertura

Governador de SP, Tarcísio de Freitas | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Na faixa de 16 a 24 anos, Haddad tem 40,5% das preferências, contra 33,6% de Tarcísio e 23,7% do deputado Kim Kataguiri (Missão), um dos fundadores do MBL que, alinhado a teses liberais, prega redução de impostos e incentiva o empreendedorismo. No geral, Tarcísio ganha de Haddad por 49,1% a 42,6%.

Numa avaliação ainda preliminar, há em áreas da esquerda a perspectiva de que, pelo menos em São Paulo, Haddad é visto como sendo mais aberto a novas alternativas de crescimento profissional do que Lula.

Salto triplo de Ruas

A confusão no comando do Rio de Janeiro é tamanha que o deputado Douglas Ruas (PL) tem possibilidade de ser, ainda neste ano, escolhido três vezes para assumir o governo do Estado. A primeira, por ser favorito para vencer a disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa. Neste caso, assumirá interinamente o governo porque o titular e seu vice renunciaram.

Espera

Ruas, porém, por determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, só assumiria o cargo interinamente depois de a Justiça (o próprio STF) definir será por eleição direta ou indireta a escolha do governador que completará o mandato de Castro. Esta decisão está marcada para o dia 8.

Novas disputas

Como governador em exercício, a ele caberá convocar eleição para o mandato-tampão. Ruas já declarou que participará da disputa, seja o pleito direto ou indireto. Vitorioso ou derrotado, voltaria às urnas em outubro para disputar o mandato que começará em janeiro de 2017 e vai até 2021.

Caminho aberto

Um experiente advogado da área eleitoral disse à coluna que nada impede Ruas de exercer, na sequência, o cargo de governador em exercício, de governador-tampão e de governador-governador. Isso porque nas duas primeiras funções ele apenas completaria um mandato alheio, o de Castro.

Tribunais

O deputado Luís Paulo (PSD) diz que o eventual salto triplo dr Ruas pode ser questionado judicialmente. Ele é é aliado do ex-prefeito Eduardo Paes, pré-candidato ao governo estadual. De 2022 para cá, a situação do governo passou pelo Tribunal Regional Eleitoral, pelo Tribunal Superior Eleitoral, pelo Tribunal de Justiça-RJ e está no STF.

De qualquer jeito

O favoritismo de Ruas para presidir a Alerj foi demonstrado, na semana passada, quando ele venceu com facilidade a disputa, que seria anulada pela Justiça. Suas chances aumentam se a eleição para o mandato-tampão for aberta. Mas ele já disse que, a exemplo de Paes, também quer diretas.

Exposição

Para Luís Paulo, Ruas tomou essa atitude para não parecer temer a eleição direta. Ele usaria também a campanha eleitoral, que inclui tempo de propaganda de TV, para se tornar conhecido do eleitor e, assim, fazer com que sua candidatura fique mais viável para a eleição marcada para outubro.