Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Eleições e a reedição da briga de foice no escuro

Alfredo Gaspar (União-AL): relatório rejeitado | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Os momentos finais da CPMI do INSS, a prisão de Jair Bolsonaro e o caso Master transformaram as eleições de 2026 numa reedição da briga de foice no escuro — a definição foi dada, no fim de 1983, pelo então governador de Minas Gerais, Tancredo Neves. Ele se referia à sucessão do presidente João Batista Figueiredo, que marcaria a transição para a democracia.

O embate entre oposicionistas e governistas para forçar o indiciamento, pela CPMI, do empresário Fábio Luís Lula da Silva(o Lulinha) e de Jair e Flávio Bolsonaro reforçou que, mais do que nunca, a campanha eleitoral será travada no campo de golpes abaixo da linha da cintura — e todas as armas serão válidas contra os adversários.

 

O ódio larga na frente

Um experiente marqueteiro político diz que os vídeos de origem anônima lançados contra o Congresso e a oposição no segundo semestre de 2025 mostram que, desta vez, o petismo terá sua versão do gabinete do ódio bolsonarista, que tanto atuou nas campanhas de 2018 e 2022. "Vai ser na base do bateu, levou", diz, ao resgatar frase usada por Cláudio Humberto, então responsável pela comunicação do presidente Fernando Collor.

Jogo de empurra

CPMI: Eduardo Girão (Novo-CE) observado por petistas | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Para este observador, o impasse que marcou a CPMI do INSS — que terminou sem relatório final — tende a se repetir num universo em que todos os lados sabem o que fizeram de errado nos verões, outonos, invernos e primaveras passados.

Diante da dificuldade de provar a própria inocência, cada grupo tentará ressaltar a culpa do outro. Vencerá quem conseguir emplacar com mais força e credibilidade sua versão dos fatos — mesmo que esta não corresponda ao que efetivamente ocorreu.

Vitória parcial

Numa avaliação preliminar, ele avalia que, no caso INSS, a oposição saiu vencedora ao colar suspeitas, ainda que não comprovadas, sobre um dos filhos de Lula.

Já os governistas não teriam conseguido emplacar ligações que indicassem a participação do senador Flávio Bolsonaro num dos ramos dos muitos esquemas de fraudes aos aposentados.

Suspeita

O importante, no caso, seria consolidar as suspeitas sobre um personagem ligado ao presidente da República, seu filho. Pouco importariam os detalhes, as evidências, as provas. Há uma desconfiança em relação a Lulinha que será cada vez mais amplificada pelas redes sociais — isso basta.

Estupro

Ao acusar o relator da CPMI, deputado de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), de estupro de uma menor de idade, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), foi na mesma linha. Lançou um fato bombástico para, assim, tentar substituir a acusação contra o filho do aliado. Gaspar negou que o caso tenha ocorrido.

A vez do Master

A nova guerra de versões deverá ser em torno do caso Master. Recentes decisões do Supremo Tribunal Federal enfraquecem a possibilidade de criação da CPMI sobre o tema, e que há mais de um mês vem sendo protelada pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Tiroteio

A briga política deverá ocorrer a partir do resultado de novas investigações da Polícia Federal e das delações premiadas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel. Como o caso envolve ministros do Supremo Tribunal Federal, fica ainda mais complicado saber de que trincheira sairão os tiros mais letais.

RJ e Brasil

Ainda que restrita ao Estado do Rio, a sucessão de Cláudio Castro também terá consequências federais. Defensor da eleição direta para o mandato-tampão, Eduardo Paes (PSD), é aliado de Lula e tem como adversário o grupo capitaneado por Flávio Bolsonaro (PL) e Antônio Rueda, do União Brasil.

Bola no chão

Ao renunciar na véspera da provável cassação de seu mandato para forçar uma eleição indireta, Castro irritou parte do STF. O atropelo na eleição de Douglas Ruas (PL) para presidente da Assembleia Legislativa piorou tudo — ele é candidato à sucessão de Castro. O STF mandou parar tudo e vai definir as regras.