Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Bolsonaro não poderá receber políticos em casa

Alexandre de Moraes restringiu visitas | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ao conceder prisão domiciliar provisória a Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, incluiu uma limitação que atrapalha a vida política do ex-presidente em um ano eleitoral.

O magistrado proibiu a visita de pessoas que não sejam da área de saúde, advogados ou parentes diretos do preso. Ou seja, apenas os políticos da família poderão conversar com o Bolsonaro durante os três meses previstos para a duração inicial do benefício.

Moraes foi buscar na literatura médica a justificativa para a medida. Em sua decisão, citou livros de medicina que estabelem o prazo de até 90 dias para a recuperação total de pacientes idosos que tiveram pneumonia.

 

Risco de sepse

Relator dos processos que geraram condenações de acusados de tentativa de golpe, o ministro afirmou que a permanência do ex-presidente em ambiente com menor número de pessoas diminuirá a possibilidade de e evitará "o risco de sepse".

Ele também vetou "qualquer visita a outro morador da casa está, igualmente, vedada". Só poderá ocorrer com autorização judicial específica.

Romaria

Ex-presidente recebeu muitos políticos na cadeia | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Na decisão que tirou Bolsonaro da Papudinha e permitiu sua ida para casa, Moraes listou os nomes de todos os que estiveram com ele desde sua transferência para lá, em 15 de janeiro.

A relação inclui nomes de diversos politicos, entre eles, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cinco senadores, cinco deputados federais e um ministro do Tribunal de Contas da União, Jorge Oliveira.

Ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Oliveira foi indicado para o TCU pelo próprio Bolsonaro.

Michelle prejudicada

A proibição de visitas também atrapalhará a campanha eleitoral da mulher do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, pré-candidata ao Senado.

Para se reunir com correligionários e definir detalhes de sua busca por votos, ela terá que ir pra rua. Em casa, só poderá ter reuniões políticas com o marido e os três enteados que vivem no Brasil.

Plantão médico

Moraes ressaltou que, em seus 56 dias de Papudinha, Bolsonaro recebeu 206 visitas médicas — média de 3,6 por dia. Em 4 de fevereiro, ele esteve oito vezes com esses profissionais: às 06h32, 10h14, 14h02 (dois ao mesmo tempo), 17h02, 17h11, 17h28 e 20h01. Mais de uma vez, recebeu cinco médicos num dia.

Médicos do DF

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não deixou faltar atendimento médico ao aliado. O ex-presidente recebeu uma atenção de fazer inveja aos demais moradores da capital federal. Profissionais da Secretaria de Saúde estiveram 113 vezes com Bolsonaro — média de duas vezes ao dia.

Os Caiado

A família Caiado também marcou presença nos cuidados com Bolsonaro. Além do cardiologista Brasil Caiado e do psicólogo Ricardo Caiado — ambos primos do governador de Goiás, Ronaldo Caiado —, o preso foi atendido pelo fisioterapeuta Kleber Caiado. Em uma das visitas, Ricardo foi registrado como médico.

Definição

Manda-chuva do PT fluminense, o prefeito de Maricá, Washinton Quaquá, descarta qualquer dúvida sobre o apoio do partido na eleição indireta para o cargo de governador-tampão do estado. Diz que ficará com o deputado Chico Machado (Solidariedade) se ele vier mesmo a ser escolhido por Eduardo Paes (PSD).

Vale tudo

Machado é bolsonarista e tem ligações com presidente afastado da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil). "O importante é ganhar", justifica Quaquá. Apoiado pelo PT, Paes, pré-candidato ao governo do Rio na eleição direta de outubro, teme o uso da máquina estatal pelos adversários.

Contradição

O processo de escolha de quem cumprirá o mandato-tampão no Rio promete dar confusão. A Constituição do estado prevê eleições indiretas caso a vacância no cargo ocorra nos dois últimos anos do mandato. Já o Código Eleitoral fala em eleições diretas se faltarem mais de seis meses para o fim do mandato.