Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Prisão domiciliar para Bolsonaro alivia governo

Moraes perguntou e Gonet sugeriu benefício | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo recebeu com alívio a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de recomendar a ida de Jair Bolsonaro (PL) para prisão domiciliar.

Gonet se manifestou em pedido da defesa do ex-presidente que lhe fora encaminhado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator do processo que condenou Bolsonaro e aliados.

Para o Planalto, a ida do ex-presidente para casa retira das costas do governo o eventual peso de uma piora e, no limite, de sua morte.

Por mais que a decisão caiba ao STF, não haveria, segundo petistas, eximir o Planalto de uma responsabilização em caso de agravamento da saúde do adversário.

 

Inversão

A ida de Bolsonaro para prisão domiciliar inverteria o problema. Uma melhora súbita indicaria a possibilidade de exagero de médicos na avaliação do caso.

Na mesma linha, uma eventual nova busca de rompimento de tornozeleira também seria debitada na conta do ex-capitão, assim como uma tentativa explícita de fuga. O mais importante para o Planalto é afastar uma vitimização do adversário.

Esvaziamento

O ex-presidente em uma de suas internações | Foto: Reprodução/Instagram/Michelle Bolsonaro

O Planalto também acredita que a volta do ex-presidente para casa tende a esvaziar o ardor da oposição pela diminuição das penas dos condenados por golpismo. Aprovado pelo Congresso, o projeto foi vetado pelo presidente Lula.

A derrubada do veto depende de convocação de sessão do Congresso Nacional, o que vem sendo postergado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Caso a sessão ocorra, ele precisará ler o requerimento de instalação da CMPI do Banco Master.

Deixa pra lá...

Nem Alcolumbre nem a maioria do Congresso demonstra interesse em instalar a CPMI. O requerimento que alcançou o número de assinaturas necessário foi protocolado pelo deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ), mas os vazamentos ocorridos depois da nova prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro diminuíram o ânimo do Centrão, da oposição e do governo.

Grana pro Mickey

O Brasil deverá deixar de arrecadar R$ 5,997 milhões em impostos para subsidiar a apresentação do espetáculo Disney On Parade, Festa em Família. A página da Lei Rouanet diz que o projeto ainda está em análise, mas os anúncios do evento destacam que o evento é apresentado pelo Ministério da Cultura.

Ingressos

Na proposta enviada ao MinC, a Ultreya Produções diz que o projeto contará com preços populares e com "ações de democratização de acesso e ação de contrapartida social para rede pública de ensino". Os valores dos ingressos cheios variam de R$ 860 a R$ 50. Haverá sessões no Rio e em São Paulo.

Mecenato

O apoio do contribuinte brasileiro ao espetáculo de patinação da Disney se dará pela forma de mecenato: os patrocinadores poderão abater 100% do valor investido em seu imposto de renda. Em 2006, o uso da Lei Rouanet pelo Cirque du Soleil gerou muita discussão. O subsídio chegou a R$ 9,4 milhões.

Emendas do PL

Por falar nisso: o ministro Flávio Dino, do STF, determinou que os deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon, todos do PL, expliquem o envio de verbas de emendas parlamentares para a ONG ANC. Segundo a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), a ANC recebeu R$ 2,6 milhões, principalmente as chamadas "emendas pix".

Ligações

A ANC tem como responsável Karina Ferreira da Gama, que também administra a Go Up Entertainment, produtora de um filme sobre a vida Jair Bolsonaro. Citada na ação, reportagem do Intercept Brasil mostrou que a Go Up tem contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura de São Paulo.

A guerra de Trump

Brasileiros são vítimas indiretas da guerra que Estados Unidos e Israel declararam ao Irã. No fim de semana, já havia falta de combustível em postos do Rio. Num que fica localizado na avenida Rei Pelé, nas proximidades da rua 24 de Maio, não havia disponibilidade de gasolina comum e de diesel.