Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Mandato-tampão no RJ: o medo de Eduardo Paes

Aliados do ex-prefeito temem operações com mortes | Foto: Beth Santos/Prefeitura do Rio

A insistência de Eduardo Paes (PSD) em tentar barrar a candidatura de Douglas Ruas (PL) para um mandato-tampão ao governo do do Rio está relacionada ao temor de que, caso eleito, ele tome atitudes radicais na área de segurança que fortaleçam seu nome para a eleição direta, em outubro.

"Basta que ele (Ruas) faça uma nova chacina para ficar popular e se eleger", frisa o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), aliado do ex-prefeito carioca, que renunciou ao cargo para poder disputar o Palácio Guanabara na eleição direta. A frase faz referência à operação policial feita em outubro nos complexos do Alemão e da Penha, que terminou com 121 mortos.

 

Mortes aprovadas

Pesquisa feita pela Quaest revelou que 64% dos fluminenses aprovaram a operação, contra 27% que a condenaram. Segundo o Datafolha, a popularidade do governador Cláudio Castro (PL) chegou a 40% depois da ação.

Castro pretende renunciar ao governo para disputar vaga no Senado. Seu mandato seria concluído por um governador-tampão eleito pela Assembleia Legislativa (Alerj), já que o estado não tem vice-governador.

Exigência

Ruas: pré-candidato do PL é policial civil | Foto: TV ALERJ

Deputado e secretário de Cidades até semana passada, Ruas é policial civil e foi indicado pelo PL.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, atendeu a um pedido do partido de Paes e suspendeu normas aprovadas pela Alerj para a a eleição indireta.

A decisão, que será submetida ao plenário do STF, leva para o pleito a exigência de que candidatos não tenham exercido cargos executivos até seis meses antes da eleição — isto invabilizaria a candidadura de Ruas e a do petista André Ceciliano, ex-presidente da Alerj.

Opção por bolsonarista

Caso a decisão de Fux seja mantida, Paes, que apoia a reeleição do presidente Lula, deverá indicar o deputado Chico Machado (Solidariedade) para a disputa do mandato-tampão.

Ele é bolsonarista e tem ligações com o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), acusado de ligações com o Comando Vermelho.

Não tem tu...

Lindbergh diz que o PT deverá apoiar Machado, caso seu nome seja mesmo escolhido pelo ex-prefeito. "Ele (Paes) não tem força na Alerj", justifica. A veradora petista Tainá de Paula, diz que isso tem que ser discutido pelo partido. Segundo ela, Machado também é citado na investigação sobre Bacellar.

Na Justiça

De acordo com a vereadora, Ceciliano, que ocupava cargo no governo federal até o dia 20, entrará na briga judicial para disputar o mandato-tampão. Paes prefere que Ceciliano fique de fora — no limite, ele, no governo, poderia disputar a reeleição contra o ex-prefeito caso este não seja fiel a Lula.

Lula longe

Na transmissão de cargo de Paes para o novo prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), ambos fizerm longos discursos, e dedicaram apenas uma menção a Lula. O ex-prefeito, porém, de olho no eleitorado evangélico, fez duas citações bíblicas. Ele também enfatizou o tema da segurança pública.

Renúncia

A renúncia de Castro ao governo está prevista para hoje, véspera da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que poderá retirá-lo do cargo e decretar sua inegibilidade — isso, por acusações de abuso de poder político e econômico na eleição de 2022. Mas há quem aposte em novo pedido de vistas do ministro Nunes Marques.

Saia justa

O cantor e compositor Dudu Nobre gerou uma saia justa na transmissão de cargo. Improvisou versos ao interpretar, no palco da cerimônia, o samba "Moleque atrevido". Ele cantou "Respeite Eduardo Paes para governador", o que pode ser enquadrado como campanha eleitoral antecipada e ilegal.

O outro Dudu

Paes correu ao microfone e se dirigiu ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Claudio de Mello Tavares, que estava presente à cerimônia. Ressaltou que as palavras haviam sido ditas pelo Dudu Nobre, e não pelo Dudu Paes. Pior: o evento foi nos jardins de um prédio público, o Palácio da Cidade.