Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Tamanho do escândalo do Banco Master dificulta acordão

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, está preso | Foto: Divulgação/Sec. Administ. Penitenciária de São Paulo

O que mais assusta o pessoal envolvido na confusão relacionada ao Banco Master é que o tamanho do escândalo: as relações perigosas e amplas de Daniel Vorcaro complicam uma saída na linha do "grande acordo nacional" preconizado, em 2016, pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Em conversa com o então senador Romero Jucá, Machado sugeriu que tal acordo se desse a partir do impeachment da presidente Dilma Rousseff e da consequente ascensão de Michel Temer, o vice, ao Planalto. 

Jucá concordou e completou que o entedimento que seria capaz de conter a Lava Jato seria "com o Supremo, com tudo". Ele virou ministro de Temer: caiu depois da divulgação da gravação.

 

Suprema delação

O problema é que, agora, há suspeitas de envolvimento de, pelo menos, dois ministros do Supremo e de políticos ligados a diferentes partidos políticos — no caso destes, cada lado tentou jogar a bomba no colo alheio, o que deu publicidade aos fatos e dificulta um recuo.

A alta probabilidade de Vorcaro fazer uma delação também complica o cenário e dificulta um acordão para que o caso seja silenciado — ainda mais em ano eleitoral.

A vez do PGR

Alexandre de Moraes com Paulo Gonet | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Há no Congresso o temor de que nem mesmo o eventual corporativismo de outros ministros do STF seja capaz de segurar uma avalanche de denúncias e evidências.

Isto obrigaria o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a tomar atitudes contra integrantes da suprema corte brasileira.

A percepção é de que, se sobrar até pro STF, ninguém será poupado. É como se a frase "Com o Supremo, com tudo", que previa impunidade generalizada, tenha adquirido o sentido contrário do original.

Festa e ressaca

O Planalto comemorou a condenação de três políticos do PL — dois deputados e um ex — por desvio de verbas de emendas parlamentares.

Mas, ao mesmo tempo, teme que ofensiva do STF contra deputados e senadores que privatizaram esse tipo de recurso aumente ainda mais o mau humor do Congresso com o governo.

Messias

A desmobilização do Congresso a ser gerada pelas campanhas eleitorais no segundo semestre deverá contribuir para que temas mais polêmicos não sejam votados. O maior problema do governo é conseguir aprovar o nome de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o STF.

Bola pro mato

Há o risco de derrubada do veto de Lula ao projeto que beneficia condenados por golpismo, mas isso depende de convocação de sessão do Congresso, o que tem sido evitado por Davi Alcolumbre (União-AP). O presidente do Congresso teme que a abertura da sessão gere a instalação da CPMI do Master.

Dani no PL

Tem gente no PL espantada com a anunciada filiação ao partido da deputada Dani Cunha, hoje no União Brasil. Ela é filha de Eduardo Cunha, que comandou o impeachment de Dilma Rousseff e foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas os pragmáticos do PL dizem que vale tudo contra Lula e o PT.

Presentão

A entrada de Dani no partido de Jair Bolsonaro coincide com a determinação do governo de passar a bater em Flávio, primogênito do ex-presidente e por ele indicado a disputar a Presidência. Para petistas, a aliança com a família Cunha afeta ainda mais o discurso contra corrupção sustentado por muitos bolsonaristas.

Foco na Meta

O Instituto Defesa Coletiva ingressou com uma ação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais contra a Meta, dona do Facebook e do Instagram. Pede pagamento de R$ 1,5 bilhão por danos morais coletivos e sociais e o estabelecimento de critérios para o funcionamento de redes sociais.

Conivência

A entidade alega que a Meta utiliza dados pessoais dos usuários de suas redes para fazer uma segmentação publicitária — ou seja, escolher que anúncios apresentar para cada usuário. Afirma também que a empresa é tolerante com quem anuncia promoções falsas e produtos inexistentes. Ou seja, tolera fraudes.