Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Baleados disparam no Rio; áreas pobres têm mais casos

Andrea Dias, médica morta por PMs na Zona Norte | Foto: Reprodução/Redes sociais

Em 2025, o número de pessoas atingidas por projéteis de armas de fogo atendidas na rede de saúde do município do Rio chegou a 1.840, 66% a mais do que em 2024.

Dados do Observatório Epidemiológico da Secretaria de Saúde comprovam que a violência atinge, principalmente, moradores de áreas mais pobres da cidade.

Também no ano passado, 167 moradores de Realengo e 146 de Bangu, ambos na Zona Oeste, foram atendidos na rede por este tipo de ferimento.

Os dois bairros têm, respectivamente, 2,6% e 3,4% da população carioca, mas pessoas que neles moram representaram 9% e 7,9% dos que foram levados, feridos por balas, a emergências municipais.

 

Os sem vítimas

Em 2025, nenhuma pessoa residente em bairros da Zona Sul como Ipanema, São Conrado, Urca e Humaitá precisou ser levada a um hospital da rede por ferimento causado por tiro.

O Observatório também não registra atendimentos de pessoas que moram em alguns bairros da Zona Norte, como Água Santa, Brás de Pina, Oswaldo Cruz e São Francisco Xavier.

Oeste e Norte

Hospital Souza Aguiar, maior emergência da prefeitura | Foto: Nelson Duarte/SMS

O critério da prefeitura de divisão da cidade em áreas de planejamento confirma que bairros mais pobres geram mais vítimas.

Moradores da AP 5, que abrange a Zona Oeste, representaram 36% dessas vítimas, o mesmo percentual relativo a pessoas que viviam em subúrbios da Zona Norte.

Nas duas regiões há grandes hospitais públicos da rede estadual que também atendem casos de emergência e que não são computados nos números da prefeitura. Ou seja, há mais vítimas.

Cascadura

Cascadura, subúrbio da Zona Norte onde a médica Andrea Marins Dias foi morta por PMs na noite do último domingo, pertence à AP 3.3, um pedaço da AP 3. Em 2025, moravam nesses bairros 15,49% das pessoas atendidas nas emergências municipais.

A soma dos atendimentos de habitantes da Zona Sul e da AP 2, a Grande Tijuca, representou 6,84% do total.

Os de sempre

Os números da prefeitura confirmam uma estatística usual nesse tipo de vítima: em 2025, quase 86% eram pardas ou pretas; 83%, homens. A juventude é outro fator de risco, 59,6% tinham entre 20 e 39 anos; 14%, entre 12 e 19 anos. Ou seja, negros, pobres e jovens estão na linha de tiro.

Escalada

Ao comentar a morte da médica, o secretário de Saúde, Daniel Soranz, afirmou não se tratar de um caso isolado, "mas de um padrão que vem se repetindo". Para ele, o aumento das vítimas evidencia uma escalada da violência "que precisa ser enfrentada com seriedade e responsabilidade".

Perigo, perigo

A condenação, pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, de três políticos do PL — dois deputados federais e um ex-deputado — por desvios de emendas parlamentares acendeu de vez o alerta de pânico no Congresso Nacional. A decisão foi tomada por unanimidade pelos quatro ministros.

Descuido

De acordo com um parlamentar, a tendência é de que a fila de condenados aumente na medida em que novos casos cheguem ao STF. Ele ressalta que a facilidade para obter e desviar o dinheiro de emendas era tanta que muitos colegas se descuidaram, e deixaram digitais por todos os lados.

Mecanismo

O descuido tem a ver com esse tipo de verba. O dinheiro destinado para emendas em 2026 chega a R$ 50 bilhões, mas o valor é divido entre os parlamentares que, de um modo geral, destinam pequenas somas para cada projeto, até para escapar de controles, concentrados em obras mais caras.

Pavor

A condenação piorou de vez o humor de muitos políticos; alguns também temem a evolução do caso Master. Há os enrolados com emendas e com relações pouco republicanas com Daniel Vorcaro. Fora o pavor de vazamento de imagens de festas pra lá de animadas promovidas pelo ex-banqueiro.