Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Preocupado, governo bota o bloco de bondades na rua

Lula acompanhou o Carnaval de Salvador | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O crescimento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o aumento da avaliação negativa do presidente Lula (PT) fizeram o governo botar na rua o primeiro bloco de bondades de 2026.

A decisão de zerar impostos federais sobre o diesel e de, no mesmo dia, anunciar aumento de punições para casos de maus-tratos a animais mostra que, para o Palácio do Planalto, a situação corria o risco de ficar incontrolável.

Segundo um assessor, era preciso agir para tentar impedir a criação de uma "onda" capaz de favocerer Flávio — um fenômeno que gera um movimento que, depois, ao ganhar a força de uma tsunami, fica impossível de ser controlado.

 

Exemplo de 2018

Os fatos ocorridos em 2018 são citados como exemplo. No início daquele ano, poucos levavam a sério a possibilidade de vitória de Jair Bolsonaro.

Pesquisa Datafolha divulgada no fim de janeiro dava ao então deputado e ex-capitão 16% das intenções de voto; Lula, apesar de já condenado em segunda instância no processo que o levaria à prisão tinha 37% das preferências, mais do dobro do segundo colocado.

Bolsonaro foi de azarão a favorito

Bolsonaro, com Michelle, ao tomar posse | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em terceiro lugar, com 7%, estavam empatados Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckimin (PSDB). Na época, muita gente apostava que a estrutura tucana e a tradição do partido de polarizar com o PT fariam com que o hoje vice-presidente fosse subir.

Em abril, Bolsonaro tinha 15% num cenário com Lula e 17% sem o petista, que havia sido preso uma semana antes. Mesmo na cadeia, ele mantinha a liderança, com 31%. Numa simulação sem o nome do então ex-presidente, Marina Silva chegava a 15%.

Decolagem sem freio

Dois meses depois, Bolsonaro continuava a patinar entre 17% e 19%; Lula estava com 30%. Em agosto, ele chegou a 39%; Bolsonaro mantinha 19% — sem o principal adversário, era o líder, com 22%. Estimulado pelo indeferimento da presença do petista e pelo atentado de que foi vítima, o ex-capitão começaria a decolar em setembro, um mês antes do pleito; e não parou mais.

Não deixa cair

Não há no Planalto quem aposte numa subida vertiginosa de Flávio, mas há algum temor de que eventuais sucessivas quedas de Lula em pesquisas levem a um descrédito de sua candidatura (em 2018, Marina terminou com 1%). A ordem é bater tambor, criar fatos positivos e não abrir a guarda.

Torcida

Ninguém no mundo da política e do Judiciário fala isso abertamente, mas é grande a torcida para que o Supremo Tribunal Federal liberte Daniel Vorcaro e, assim, aborte uma delação premiada do ex-banqueiro. Há um temor generalizado de que ele abra a boca e cause terremotos pelo Brasil.

Os quatro

Ao se declarar suspeito para julgar a manutenção da prisão de Vorcaro, Dias Toffoli, na prática, favoreceu a libertação do ex-dono do Master. Sobraram quatro ministros na Segunda Turma, e bastariam dois votos favoráveis para que o ex-banqueiro seja libertado, já que o empate é favorável ao réu.

Galera

André Mendonça, que decretou a prisão, manterá sua posição, que deverá ser acompanhada pelo voto de Luiz Fux. Há dúvidas sobre como se comportarão os outros dois integrantes da turma, os ministros Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques. Nunca antes na história de Brasília a capital federal torceu tanto por um empate.

Rumo ao Norte

Ao, enfim, aceitar sua nomeação para o Tribunal de Contas do Estado de Roraima, o senador Mecias de Jesus abriu caminho para mais uma etapa do processo de exportação de bolsonaristas. O deputado Hélio Lopes (PL-RJ) tem chances de trocar de domicílio eleitoral para disputar o Senado por lá.

Excesso

Ninguém está acima de qualquer suspeita ou investigação. Nada impede que a Polícia Federal apure se o jornalista Luis Pablo Conceição Almeida cometeu crime na apuração de notícia contra o ministro Flávio Dino, do STF. Mas a medida de busca e apreensão em sua casa representa um excesso judicial.