Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Oposição comemora: nome de Lulinha entrou na roda

Pimenta(e) reclama com Viana(d), presidente da CPMI | Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A oposição comemora muito a confusão criada pela votação que resultou na quebra do sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na avaliação de bolsonaristas, mesmo que a decisão venha a ser mudada — os petistas alegam fraude na votação —, a reação dos governistas demonstraria o temor de que sejam descobertas irregularidades capazes de comprometer o filho do presidente.

A oposição não procurou defender uma legitimidade da votação, a alegar correção na contagem dos votos; passou a explorar: busca insitir no mote de quem não deve, não teme.

 

Protesto

Ainda ontem, horas depois da confusão, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) solicitou ao presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a anulação da votação dos requerimentos que incluíam a quebra do sigilo de Lulinha.

Pimenta chegou a ler a relação dos parlamentares que participaram da votação simbólica — contra e favor — e insistiu que Viana havia errado ao fazer a contagem.

'Histerismo'

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS - 2025 (CPMI - INSS) realiza reunião para apreciação de requerimentos. O objetivo da comissão é investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas. A CMPI é formada por senadores e deputados, num total de 32 titulares e igual número de suplentes. Confusão generalizada entre parlamentares após aprovação de quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Participam: deputado Luiz Lima (Novo-RJ); deputado Alencar Santana (PT-SP); deputado Rogério Correia (PT-MG). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado | Foto: Geraldo Magela

Viana negou o pedido de Pimenta e afirmou que o caráter simbólico da votação dos requerimentos — entre eles, o que tratava de Lulinha — impedia uma contagem detalhada. Alegou que questões regimentais para justificar sua decisão anterior para atender ao pedido de verificação da votação.

Assim como outros adversários do governo, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), evitou detalhar a votação, e falou em "crise de histerismo" por parte de governistas.

Armadilha e agressão

Após toda a confusão, governistas avaliavam que tinham caído numa armadilha da oposição, que, com ajuda de Viana, encaminhou os trabalhos para impor uma derrota ao Planalto. Para piorar, o deputado Rogério Correia (PT-MG) teve que admitir que, na confusão, agredira o colega Luiz Lima (Novo-RJ). O petista pediu desculpas e disse que o gesto não fora intencional.

Mendonça

Governistas têm a expectativa de que conseguirão anular a votação, mas sabem que o estrago em torno de Lulinha foi feito. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de, a pedido da Polícia Federal, quebrar o sigilo do filho do presidente complica ainda mais o caso.

Rebelião

Um atento observador do Congresso avalia que a rasteira tomada pelos governistas na CPMI aparenta estar ligada a questões mais amplas. Seria uma manifestação de rebeldia a relação a investigações da PF relacionadas ao Banco Master e a fraudes da aplicação de verbas de emendas parlamentares.

Álibi

O pedido de quebra de sigilo de Lulinha feito pela PF dá ao governo, porém, a possibilidade de alegar que não tem como controlar as investigações feita pela corporação. Se tivesse, o filho do presidente seria preservador. O problema é fazer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acreditar nisso.

Igreja de Viana

Pimenta e Correia, os dois petistas que protagonizaram o embate na CPMI, puxaram um outro fio para tentar explicar a atitude de Carlos Viana — evangélico, ele é ligado à Igreja Lagoinha, do pastor Carlos Valadão, que até o ano passado era dona do hoje existo Clava Forte Bank. A instituição teria sido usada para lavar dinheiro do Master.

O doador

De acordo com petistas, parte do dinheiro teria sido obtido com fraudes na obtenção de consignados do INSS. A fraude passaria por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, advogado e pastor da Lagoinha. Ele foi o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

Obstáculos

Para o Planlato, a dificuldade de diálogo com Alcolumbre, a derrota de ontem na CPMI e o crescimento de Flávio Bolsonaro detectado pela pesquisa AtlasIntel indicam que os próximos meses serão bem complicados. Conquistar apoios para Lula fora da esquerda vai dar mais trabalho, e vai sair mais caro.