Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Decisão da Suprema Corte é 'teoricamente' boa

Para presidente da AEB, mercado terá que se adaptar | Foto: Divulgação

Para José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a derrubada do tarifaço de Donald Trump pela Suprema Corte norte-americana é "teoricamente" boa para os exportadores brasileiros.

Segundo ele, a medida vai gerar a necessidade de uma rearrumação geral da bagunça criada pelo presidente dos Estados Unidos. "As empresas vão ter que rediscutir tudo", avalia.

Pelas contas da AEB, as exportações brasileiras para os EUA caíram 20% desde que o início das tarifas. De acordo com Castro, o alívio anunciado depois do encontro de Trump com Lula ainda não foi implementado.

 

Medida favorece acordo com UE

O presidente da AEB diz que a decisão judicial deverá forçar a União Europeia a apressar a implantação do acordo comercial com o Mercosul, já que o mercado norte-americano tende a ficar mais atrativo para outros países, entre eles, o Brasil.

Em janeiro, o Parlamento Europeu protelou o início do acordo, ecidiu que isso só ocorrerá depois depois de avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Vitória da China

Trump reclamou da decisão judicial | Foto: Joyce N. Boghosian/ Casa Branca

Independentemente do que vier a ocorrer, a confusão criada por Trump tem, para Castro, um grande vencedor: a China.

O país aproveitou a guerra comercial iniciada pelo norte-americano para diminuir preços de seus produtos e ganhar mercado. Ganhará de novo, prevê o executivo, se a tarifa de 40% cair para 10%, como anunciado por Trump.

A Casa Branca, provavelmente, também vai ter devolver aos importadores dos EUA cerca de US$ 170 bilhões, valor das sobretaxas que foram obrigados a a pagar.

Confetes trocados

Na busca de pacificar sua relação com pelo menos parte do seu partido (PL) no Rio, o governador Cláudio Castro aproveitou o Carnaval para conversar com o senador Carlos Portinho.

Este é candidato declarado à reeleição; Castro também deverá tentar conquistar uma das duas vagas no Senado que estarão em disputa.

Arestas

Segundo Portinho, a conversa, ocorrida no no Palácio Laranjeiras, foi amistosa, serviu para aparar algumas arestas — o governador não tinha gostado de críticas que o senador fizera, meses atrás, à segurança pública. Portinho disse que as observações foram de caráter institucional, não pessoal.

Dono da bola 1

De acordo com Portinho, Castro avalia haver espaço para até três candidaturas de direita ao Senado (a esquerda tende a se unir em torno do lançamento da deputada Benedita da Silva, do PT). A decisão final sobre os nomes que serão lançados pelo PL será do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dono da bola 2

O senador, que esteve semana passada com o ex-presidente, afirmou que ele ainda não definiu o que fazer no Rio. Bolsonaro não abre mão de decidir sobre as candidaturas ao Senado — em Santa Catarina, por exemplo, definiu os nomes de Carlos Bolsonaro e de Carol de Toni, e jogou Esperidião Amin pra escanteio.

Tampão

Já a definição sobre o nome do PL para a disputa do governo do Estado será, segundo Portinho, responsabilidade do próprio partido. Isso, diz, por decisão de Bolsonaro. Castro, que deve renunciar ao cargo, apoia seu secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, para exercer um mandato-tampão até dezembro (o RJ não tem vice-governador).

Disputas

Parte do PL, porém, prefere que o nome que disputará, na Assembleia Legislativa, o cargo de governador-tampão seja o do futuro candidato na eleição de outubro. Presidente do PL-RJ, Altineu Côrtes, indica Douglas Ruas; Castro tende a apoiar o delegado Felipe Curi. O senador Flávio Boslonaro vai desempatar.

Dicas de elite

Uma das organizadoras do livro "Como pesquisar elites no Brasil" (FGV), Débora Thomé dá algumas dicas para os interessados na tarefa: organizar uma boa lista de telefones, criar rede de amigos, ter cara de pau, dispor de tempo, saber ganhar os ricos pela vaidade e cultivar amizade com suas secretárias.