Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | A chance de Ratinho, na avaliação de Baleia

Pesquisa tem pontos positivos para governador | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Alguns detalhes da pesquisa Quaest divulgada ontem que tratam da eventual candidatura presidencial de Ratinho Júnior (PSD) despertaram a atenção de políticos.

O presidente do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), comentou com aliados que o governador do Paraná tem chance de ultrapassar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa.

Na pesquisa que simula candidaturas no primeiro turno, Ratinho aparece com 8% de intenções de voto, bem abaixo de Lula (35%) e de Flávio (29%).

Ele, porém, demonstra força num eventual segundo turno: num cenário de disputa com Lula (líder, com 43%), o governador teria 35%, contra 38% de Flávio.

 

Na toca dos nem-nem

A diferença de apenas três pontos para Flávio é pequena, principalmente quando se leva em conta que o governador ainda é desconhecido fora de seu estado e não carrega o nome Bolsonaro.

Um detalhe chama a atenção: Ratinho, num segundo turno, ganharia de Lula (35% a 28%) entre os eleitores que a Quaest classifica de independentes, nem de esquerda nem de direita.

Quesito rejeição

Lula mantém liderança, mas diferença diminuiu | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Entre esses mesmos pesquisados — que se classificam de independentes —, Lula teria 31% e Flávio, 26%.

A diferença entre esses dois caiu muito, na rodada anterior da pesquisa era de 16 pontos. Mas, entre os três, o favorito dos nem-nem num segundo turno é Ratinho.

Num universo polarizado, em que o menor índice de rejeição tende a voltar a ser decisivo, a situação do governador é interessante.

Dos ouvidos, apenas 4% disseram não conhecer o atual presidente; percentual que vai a 9% no caso do senador.

Desafio

Os dois empatam em rejeição: 54% conhecem e não votariam em Lula; índice que vai a 55% no caso do primogênito de Jair Bolsonaro.

A rejeição a Ratinho vai a 40% e, mais importante, 37% afirmaram não conhecê-lo.

Ou seja: em tese, o governador paranaense teria chances de crescer num segundo turno — o problema é chegar.

Somatório

A pesquisa reforça a tese dos que, na direita, defendem o lançamento de, pelo menos, mais duas candidaturas além da de Flávio. Com Ratinho e Romeu Zema (Novo, governador de Minas), Lula teria 35% dos votos; e os três principais nomes da oposição, 41%. Isso garantiria a realização de um segundo turno.

'Sinergia'

Baleia tem insistido que o MDB não apoiará nenhum candidato à Presidência, mas, em diversas conversas, disse que Ratinho tem mais "sinergia" com seu partido que Lula e muito mais que Flávio. Se depender dele, o MDB fará apenas alianças regionais. Isso, mesmo que Lula ofereça a vaga de vice à legenda.

Dedo levantado

Na conversa que teve, esta semana, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente do MDB ouviu que a busca do partido por um espaço na chapa majoritária do estado não representaria um constrangimento. Tratou, então de levantar o dedo e dizer que a legenda está na área.

O favorito

Na reunião, eles falaram na possibilidade de o MDB indicar o candidato a vice de Tarcísio (que deverá tentar a reeleição) ou ficar com uma das vagas em disputa para o Senado. O governador disse que ouvirá aliados. Baleia, porém, sabe que o favorito para ser vice é André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa.

Calcanhares de Lula

A pesquisa reforçou fragilidades de Lula, que tem o governo mal avaliado principalmente entre jovens, eleitores com nível médio de ensino e com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos. É aquele povo que quer empreender, aposta em soluções individuais, que não sonha com carteira assinada.

Risco no asfalto

A aproximação do dia do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageará Lula no Sambódromo, passou a ser vista mais como preocupação do que com entusiasmo no Planalto. Há o temor de que a oposição encontre brechas para pedir, no limite, a inegibilidade de Lula por propaganda eleitoral ilegal.