Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Cortejado por Lula, MDB tenta entrar na chapa de Tarcísio

Baleia se oferece para candidato a vice-governador | Foto: Agência Brasil

Lula quer um emedebista para vice, mas o partido joga para ter o mesmo cargo na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, ao que tudo indica, disputará a reeleição ao governo de São Paulo.

O cálculo do MDB é simples: caso consiga permanecer no Palácio dos Bandeirantes, Tarcício terá que renunciar até abril de 2030 para poder disputar a Presidência da República.

Seu vice, portanto, assumirá sua cadeira e terá direito a disputar a reeleição. O último emedebista a comandar o governo paulista — e, consequentemente, o segundo orçamento da União — foi Luiz Antônio Fleury Filho, que deixou o cargo em 1995, há 31 anos.

 

Levantou o dedo

Presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi já, como se diz no jargão da política, colocou seu nome à disposição de Tarcísio e tratou do assunto com o correligionário Ricardo Nunes, prefeito paulistano.

A ida para a chapa do governador inviabilizaria qualquer possibilidade de o partido ocupar a vice de Lula. Apesar da relação desconfiada entre Tarcísio e o bolsonarismo, ele, pelo menos até agora, é o candidato do grupo.

Obstáculos

Kassab: vice de olho na cadeira | Foto: Marcos Corrêa/PR

A pretensão de Baleia esbarra, porém, na prioridade do PL e no poder de Gilberto Kassab, presidente do PSD, que também almeja a cadeira de candidato a vice-governador. Foi como vice de José Serra que ele, em 2006, chegou a prefeito de São Paulo.

Emedebistas alegam que, ao anunciar que o PSD terá candidato a presidente da República, Kassab, secretário de Governo do Estado de São Paulo, perdeu condições políticas para grudar em Tarcísio e no bolsonarismo. Mas sabem que isso não é obstáculo para ele.

O fator Jair

A questão do PL é mais delicada. O partido quer repetir o que conseguiu na eleição para a prefeitura, quando impôs o coronel PM Mello Araújo de vice de Nunes.

Garantir a vaga para outro representante do bolsonarismo seria importante eleitoralmente e para adoçar a boca do ex-presidente. Este adoraria a perspectiva de o vice assumir o governo em 2030.

A lista

A ida de Baleia para a chapa de Tarcísio também criaria problemas para seu partido. Os 236 mil votos que obteve em 2022 ajudaram o MDB a eleger seus quatro deputados federais em São Paulo. A eleição de representantes à Câmara é fundamental para garantir verbas para o partido pelos quatro anos seguintes.

Penúria

Escolas de samba do Grupo Ouro, segunda divisão do Carnaval carioca, reclamam que o governo do Estado ainda não pagou a subvenção que havia prometido. O pessoas das séries Prata e Bronze também dizem que não receberam nada. No fim do mês passado, o Palácio Guanabara prometera resolver tudo.

Verba

Já as escolas do Grupo Especial tiveram direito a uma dotação total de R$ 40 milhões do governo do Estado. O dinheiro beneficiou, inclusive, a Acadêmicos de Niterói, aquela que, no Sambódromo, homenageará o presidente Lula (PT), adversário político do governador Cláudio Castro (PL).

Medo

Integrantes do governo que temem problemas no desfile da Acadêmicos já se conformaram, acham impossível que Janja, mulher do presidente, deixe de desfilar. Ela deverá passar pela Avenida em um carro alegórico. Há o temor de que ela seja vaiada, principalmente pelo público que ficará nos camarotes, espaços mais caros.

Frevo ferve 1

Por falar em Carnaval. Em parceria com o Youtube, a Quaest fez uma pesquisa qualitativa para tentar dissecar a presença do frevo na cultura pernambucana, em especial, em Recife e e em Olinda. O trabalho conseguiu mapear 322 grupos dedicados a esse tipo de música nessas duas cidades.

Frevo ferve 2

Além dos grupos, os pesquisadores constataram a existência de 46 orquestras de frevo, cada uma delas costuma reunir de 15 a 25 integrantes — no Carnaval, o número de músicos pode chegar a 50. Nas entrevistas, eles constaram que todos têm outros empregos, que não dá para viver só dessa arte.