Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Encontro de Ciro e Lula reforça estratégia do Centrão

Ciro, ex-ministro de Bolsonaro, e Lula já foram aliados no passado | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A notícia de que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), costurou um pacto de não agressão com Lula e o anunciado lançamento de um candidato do PSD à Presidência confirmam os princípios do Centrão: esse grupo político amorfo e diverso faz de tudo, mas não comete suicídio.

Ao bancar a candidatura ao Planalto de seu primogênito, o senador Flávio (PL-RJ), Jair Bolsonaro criou um fato político, reafirmou seu poder e sua liderança — e abriu caminho para que aliados decidam o que vão fazer de suas vidas.

Como não consultou ninguém para tomar sua decisão, o ex-presidente não pode reclamar de nada.

 

Cargos e verbas

No último dia 3, o Correio Bastidores publicou a existência de um afastamento do PP e do União Brasil da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os dois partidos poderiam até dar apoio formal ao senador, mas sem suar a camisa.

Os dois partidos controlam cargos importantes na Caixa e na Codevasf, que administram muitas verbas. Seria complicado abrir mão deles. E Ciro tenta, no Piauí petista, garantir sua reeleição ao Senado.

Princípios do Centrão

Imposição de Flávio liberou aliados | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Como lembra um ex-deputado, o Centrão não tem a conquista do poder central como sua principal meta. O que busca é usufruir de benesses ligadas ao governo.

Para isso, não é necessário ter um presidente de direita. Basta que o ocupante do Planalto reconheça a necessidade de ter boas relações com partidos que, embora de viés conservador, votam em pautas progressistas caso isso lhes seja vantajoso.

Mas o ex-parlamentar ressalta: se ficar com a vaga de vice de Flávio, Ciro deixará Lula na mão.

Lições 'franciscanas'

A maior preocupação de Lula não é garantir apoio partidos do Centrão, o pode até comprometer a vida de políticos dessas legendas junto ao eleitorado conservador.

O que ele quer é travar adesões ao adversário e garantir que, como ele no Planalto, cargos e recursos continuarão a fluir — é dando que se recebe, como definiu o ideólogo do Centrão, o "franciscano" Roberto Cardoso Alves.

Lula lá num carro

Durante a transmissão do ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói, um repórter do Rio Carnaval, deixou escapar a possibilidade de Lula participar como destaque do desfile na Sapucaí. A escola, que estreará no Grupo Especial, homenageará o presidente. A transmissão foi feita pelo Rio Carnaval, marca da Liesa.

Janja foi

Em meio ao desfile que caracteriza o ensaio técnico, Dayvison Gomes, conhecido como "repórter-componente", ressaltou a presença, numa ala, de Janja da Silva, mulher do presidente, entre as pessoas que participavam da apresentação da Acadêmicos de Niterói. A escola abriu a noite de sexta-feira.

Na alegoria

A menção à participação de Lula no desfile foi explícita: "Tô aqui nessa ala (...), que reúne convidados do presidente, que vai vir no carro". Semana passada, em entrevista à CBN, o carnavalesco da escola, Tiago Martins, confirmou ter feito uma roupa para ser usada por Lula, mas disse não saber se ele vai desfilar.

Roupa pronta

"A gente faz desenhos e roupas para várias pessoas, por que não iria fazer para ele? Tem uma roupa para ele, sim. Mas estou assim na torcida, como vocês e como outras pessoas, para o que presidente passe na Sapucaí", disse. Segundo ele, a presença de Lula no desfile é "uma incógnita" e depende de fatores como segurança.

Grana pública

Setores da oposição já recorreram à Justiça Eleitoral contra o uso de recursos públicos pela escola de Niterói: a Embratur, o governo do Estado do Rio e a prefeitura do Rio liberaram verbas para todas as escolas. A prefeitura de Niterói subsidiou as duas que são sediadas na cidade (a outra é a Viradouro).

Jingle e 13

Para oposicionistas, o enredo sobre Lula, em ano de eleição presidencial, representa uma forma de propaganda eleitoral ilegal. Trecho do samba reproduz o jingle "Lula lá" e a letra cita o 13 ao falar do número de dias da jornada da família Silva de Pernambuco para São Paulo. E 13 é o número do PT nas urnas.