Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | CPMI da oposição faz petistas apoiarem a da esquerda

Heloísa Helena defende investigação ampla | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Bastou o deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ) protocolar seu pedido para instalar uma CPMI sobre o caso do Banco Master para o PT tratar de apoiar uma outra investigação, pedida por outros partidos de esquerda.

Até as 17h de ontem, apenas nove petistas haviam assinado o requerimento de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito redigido por Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchiona (Psol-RS). Em pouco mais de duas horas, o número pulou para 27.

Apoiar a iniciativa das parlamentares era uma das duas alternativas para o Planalto; a outra era ficar na dependência do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

 

Liberou geral

A realização de uma sessão do Congresso é necessária para que o requerimento de instalação da CPI seja lido. E a convocação da sessão depende de Alcolumbre — pelo visto, o governo não quer ficar ainda mais na mão do presidente do Senado.

No embalo das assinaturas de fim de tarde entraram, entre outros parlamentares importantes do PT, o líder da legenda na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).

Oposição foca em Moraes

Carlos Jordy, autor de pedido protocolado de CPMI | Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A opção pela CPMI pedida pela esquerda se justifica pelos seus objetivos da que foi protocolada pela oposição, mais focada no Supremo Tribunal Federal e no governo.

O pedido de assinaturas feito por Jordy cita que haveria investigação especialmente "no que se refere às possíveis influências exercidas por Alexandre de Moraes"

Ontem, o deputado citou também a necessidade de apurar a atuação do ministro Dias Toffoli (também do STF), do presidente Lula e de seu ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.

Amplitude

O requerimento da criação da CPMI da Rede e do Psol fala em apurar possíveis vínculos do Master com agentes públicos, mas tem um escopo mais amplo.

Cita a necessidade de esclarecer a estrutura do banco, a origem dos recursos movimentados, a eventual prática de crimes financeiros como lavagem de dinheiro e evasão de divisas e a atuação de órgãos de regulação.

Muralha

Heloísa Helena disse ao Correio Bastidores ser preciso que a esquerda se mobilize também para investigar o caso. Para ela, foi erguida uma muralha de protecionismo em torno do caso, que indica a existência de "banditismo político". "Não queremos apenas investigar o Alexandre de Moraes", afirmou.

Sem fila

Segundo Helena, integrantes do PT usavam o fato de terem apoiado a criação de uma CPI na Câmara para não assinarem o requerimento proposto por ela e Melchiona. O problema, frisou, é que a abertura de uma CPMI é mais simples, já que não precisa entrar na fila existente na Câmara e no Senado.

Falta apoio

De acordo com ela, o número mínimo de assinaturas foi obtido no Senado, o problema é na Câmara — com as novas adesões, o número de apoios passou para 74, mas são necessários 171. Apenas dois deputados do PL, entre eles, Jordy, haviam formalizado seu respaldo; no Senado, a apoio do partido foi maior.

Obstáculos

Ainda que seja especialista em protelar decisões, Alcolumbre enfrentaria um problema sério caso decida jogar muito para frente a realização de uma sessão do Congresso e adiar, assim, a criação de CPMI. Da convocação depende o exame do veto de Lula ao projeto de lei que facilita a vida de condenados por golpismo.

Mortos e feridos

O impasse tem origem política e, ao mesmo tempo, criminal. Integrantes do governo e da oposição sabem que sairão feridos caso as investigações sejam aprofundadas. A questão é saber quem vai ser ferido de morte. O dilema é parecido com o da CPMI do INSS, mas o caso Master pega mais gente poderosa.

Força

Líder da oposição no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ) elogiou a fala do presidente do STF, Edson Fachin, na reabertura dos trabalhos do Judiciário. Para ele, o dianóstico é correto — o ministro falou em corrupção, ética, crise institucional. "A questão é saber se ele terá força para botar ordem na casa", ressalva.