Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Lula ajuda a escalar time de Flávio Bolsonaro

Antonio Rueda e Ciro Nogueira, do União e do PP | Foto: Reprodução

No ofidiário onde vivem as maiores e mais venenosas cobras de Brasília, aposta-se pesado que União Brasil e PP vão entrar para fazer número na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Vestirão a camisa, mas sem deixá-la molhada de suor.

Isso, por um pacto de boa convivência com Lula (PT). Como não seria viável nem politicamente explicável o apoio desses dois partidos ao presidente, o melhor seria reforçar Flávio, o adversário favorito do presidente.

A tese ajuda a explicar a saída de Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que trocou o União pelo PSD ao perceber a dificuldade que teria para viabilizar sua candidatura presidencial na antiga legenda.

 

Codevasf e Caixa

A existência de outras candidaturas de direita é até estimulada pelo bolsonarismo, já que dificultaria uma vitória de Lula no primeiro turno.

União e PP têm cargos importantes na estrutura federal. Presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), Lucas Felipe de Oliveira foi indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). PP mantém diretorias na Caixa.

Em busca da vaga

Ronaldo Caiado anunciou ida para o PSD | Foto: Divulgação/Agência Cora Coralina

Ao notar que poderia ser rifado, Caiado tratou de mudar de partido para tentar viabilizar sua candidatura, um movimento acertado com o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A conversa foi confirmada ao Correio Bastidores pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenará a a campanha presidencial de Flávio.

Caiado agora precisa vencer a disputa interna no PSD. Em tese, o favorito para ficar com a vaga de candidato a presidente é o governador do Paraná, Ratinho Junior.

Caminho de Ratinho

Caiado, porém, conta com a possibilidade de Ratinho, ligado ao presidente do partido, Gilberto Kassab, trocar a empreitada por uma candidatura ao Senado.

O governador paranaense tem 44 anos e, portanto, muitas eleições a disputar e, no Senado, poderia conquistar uma visbilidade nacional. Já Caiado, com 76, sabe que 2026 pode ser sua última chance.

De saída

O MDB jogou a toalha em relação ao futuro eleitoral e partidiário da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que concorreu pelo partido na eleição presidencial de 2022. Ao dizer que fará o que Lula achar mais adequado, ela sinalizou que trocará o Mato Grosso do Sul por São Paulo.

Alternativas

Ainda não está claro o que Lula vai preferir. Em tese, Simone tentaria o Senado, mas não está descartada a possibilidade de ela concorrer ao governo, provalmente pelo PSB (neste caso, o também ministro Márcio França abriria mão de disputar o cargo). Isto, se Fernando Haddad não for empurrado para a briga.

De bombachas

Boa parte do mundo jurídico se espantou com o discurso feito pelo ministro Edson Fachin. presidente do Supremo Tribunal Federal, na reabertura do Ano Judiciário. As indiretas quase diretas por ele desferidas na solenidade foram surpreendentes num universo tão cheio de rapapés e formalidades.

Os alvos

No centro do alvo ficou Dias Toffoli, que tanto tropeçou no caso do Master. Fachin disse que os ministros "respondem pelas escolhas que fazem". Sobrou também para o ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União, que também se enrolou na história do banco. Fachin criticou "a criação de soluções à margem das instituições".

Xandão

Alexandre de Moraes recebeu um discreto pito. Fachin fez um carinho no colega ao destacar o papel do STF na preservação da democracia. Mas frisou ser hora de ponderações e de autocorreção, de reconhecer a "tripartição real de poderes". De saber "ser forte o suficiente para não precisar fazer tudo".

Seguro

Ao anunciar publicamente a elaboração de uma proposta de um código de ética para a corte, Fachin constrangeu os ministros que, por baixo das togas, conspiravam contra a iniciativa. Ao delegar a relatoria para Cármen Lúcia, diminuiu as chances de a iniciativa ser sabotada dentro da própria corte.