Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Nos nomes do padre, do engenheiro e do ministro

Toffoli virou alvo preferencial da oposição | Foto: Nelson Jr/SCO/STF

Integrantes da oposição no Senado resolveram deixar Alexandre de Moraes um pouco de lado e centrar fogo em outro integrante do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Carlos Portinho (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram requerimentos para que a Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado convide para depor o ministro e seus irmãos José Carlos, que é padre, e José Eugênio, engenheiro.

O pretexto é o fato de que o resort que teve José Carlos e José Eugênio como sócios abrigar um salão de jogos que, segundo reportagens, tem características de cassino.

 

Cassino e lavagem

Um dos requerimentos — assinado por Malta e Portinho — alega que a exploração de jogos de azar constitui atividade "frequentemente associada à lavagem de dinheiro".

No caso específico do ministro do STF, os senadores também citam as antigas ligações de seus irmãos com o resort Tayayá, no Paraná, e que ressaltam que o empreendimento teria recebido investimentos de fundos suspeitos de irregularidades no caso do Banco Master.

Ministro na sinuca

Segundo Portinho, Toffoli é a "bola da vez" | Foto: Pedro França/Agência Senado

Dizem também que a condução, por Toffoli, do inquérito sobre o Master "foi marcada por decisões processuais e administrativas pouco usuais em investigações criminais de alta complexidade".

Os três senadores também pediram que sejam convidados Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes. Isto, pelo contrato milionário que ela manteve com o banco. Apesar destes pedidos, o foco é o relator do caso Master, como admite Portinho."Ele (Toffoli) é a bola da vez. A outra espera na bica da caçapa".

Mais informações

Os requerimentos precisam ser aprovados pelos maioria dos membros da CPI. De um modo geral, essas convocações são decididas em acordos.

Além dos pedidos para a ida dos irmãos Toffoli, os senadores encaminharam ofícios solicitando pedindo informações sobre o cassino à Polícia Federal e ao Ministério Público e Polícia Civil do Paraná.

Impeachment

Além da pressão via CPI, a oposição começou a recolher assinaturas para que o Senado analise um pedido de impeachment de Toffoli. A proposta é de Girão e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo o último levantamento, haviam sido obtidas assinaturas de apenas 11 dos 81 senadores.

Bom conselho

Ao anunciar que poderá devolver o caso do Master para instâncias inferiores, Toffoli atendeu a conselhos de colegas do próprio STF. Eles lhe disseram que a situação começava a ficar insustentável, as pressões eram grandes; e não seria bom que houvesse uma divisão dentro da própria corte.

Velho Guerreiro

Tem político dizendo que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, incorporou o apresentador Chacrinha ao dizer que o correligionário Eduardo Paes, pré-candidato ao governo do Estado do Rio, poderá apoiar Lula à reeleição. Mesmo se seu partido tiver candidato próprio ao Palácio do Planalto.

'Therezinha...'

"Ele parece ter decidido confundir, e não explicar", afirma um deputado, citando um mote do Velho Guerreiro. Brincadeiras à parte, a declaração do presidente do PSD, feita à Globonews, corresponde ao seu estilo de abrir várias possibilidades para, depois, avaliar a mais vantajosa. Como diria Chacrinha: "Vocês querem candidato?"

Paes calado 1

Sempre muito falante, o prefeito carioca adotou uma espécie de lei do silêncio para evitar tratar de temas mais delicados, como a derrubada de árvores do terreno do antigo Bennett. Desde o dia 10 que a coluna aguarda resposta ao pedido de entrega de licenças de órgãos patrimoniais para o corte.

Paes calado 2

O prédio havia sido tombado por Paes em 2014. No decreto, ele declarou que as árvores eram imunes ao corte. Graças à Lei de Acesso à Informação, a coluna constatou que a autorização dada pela Secretaria de Urbanismo dizia que não havia obstáculo legal ao corte. No dia 26, pediu explicações à prefeitura. Até agora, nada.