Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Setores da direita temem sucessão de rachas

Imposição de Flávio Bolsonaro desagradou caciques | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O racha da direita em Santa Catarina e a ameaça de o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deixar o União Brasil têm sido vistas com muita preocupação por setores da direita não bolsonarista, especialmente no Centrão.

Há o temor que a imposição da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência fortaleça os intereresses regionais em detrimento do nacional. Em outras palavras: se Jair Bolsonaro não ouviu ninguém, não é mais tão necessário escutá-lo em decisões que dizem respeito aos estados.

A situação é vista como mais delicada em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e no Nordeste, onde o presidente Lula (PT) leva, historicamente, grande vantagem.

 

Tarcísio e as dúvidas

A questão paulista tem a ver com dúvidas em relação ao comportamento do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que, ao que tudo indica, depois de escanteado por Bolsonaro, será candidato à reeleição.

Ele sabe que precisa dos votos bolsonaristas, que não pode romper com o ex-presidente. Ninguém duvida de que pedirá votos para Flávio, a questão é saber como será seu empenho na campanha.

Nordeste vermelho

Rogério Marinho, do RN, coordenará campanha | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A situação no Nordeste é mais complicada, já que, por lá, mesmo políticos mais à direita temem ficar contra Lula. Em três estados — Piauí, Bahia e Maranhão —, o petista teve mais de 70% dos votos no segundo turno de 2022.

Além da eleição para governador, haverá a escolha de dois senadores por estado. A tendência é de que, na região, a direita faça por lá um discurso menos ideológico para viabilizar a eleição de seus candidatos ao governo e ao Estado. O problema é que isso tende a esvaziar o voto no primogênito de Bolsonaro.

Prioridade

A escolha do senador Rogério Marinho (PL-RN) para coordenar nacionalmente a campanha de Flávio levou em conta, principalmente, o fato de ele ser do Nordeste.

O problema é que, numa eleição tão ampla, lideranças locais tendem a priorizar seus próprios interesses. Ainda mais quando são obrigadas a engolir um candidato presidencial.

Perícia do MP

O Ministério Público aperta a investigação contra a Prefeitura do Rio, que liberou o corte de 71 árvores no terreno do antigo Intituto Bennett. Ontem, a 1ª Promotoria de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural solicitou ao Grupo de Apoio Técnico Especializado do MP uma complementação da perícia já iniciada.

'Danos ilícitos'

Os promotores querem que sejam analisados novos documentos relacionados ao licenciamento do empreendimento imobiliário previsto para o local. Segundo o MP, a análise responderá se a derrubada "provocou danos ilícitos ao conjunto arquitetônico, paisagístico e ambiental do Pavilhão São Clemente".

Imunidade

Como a coluna publicou ontem, a Subsecretaria de Controle e Licenciamento Ambiental escreveu, ao liberar o corte, que as árvores não tinham "proteção legal". Só que, em 2014, o prefeito Eduardo Paes as declarara "imunes ao corte". O MP quer apurar as "eventuais razões" que impediriam a derrubada.

'Gradual'

As árvores foram derrubadas no penúltimo dia de 2025. Na autorização que concedeu para o corte, o subsecretário Douglas do Nascimento estabelecera que supressão de vegetação deveria ser "gradual e progressiva realizando o afugentamento da fauna em direção às áreas a serem preservadas". O terreno é cercado e foi devastado.

Recurso

Por falar nisso: o deputado estadual Carlos Minc (PSB) recorreu ao presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Leandro Grass, para tentar bloquear os efeitos da decisão do Superior Tribunal de Justiça que autorizou a retomada das obras de colocação de tirolesa no Pão de Açúcar.

Depende do Iphan

Para o deputado, ex-ministro do Meio Ambiente, não faz sentido autorizar a retomada das obras antes de a Justiça de primeira instância julgar a legalidade da intervenção. Ele ressalta que é preciso a concordância do Iphan para que a decisão do STJ seja aplicada, daí o pedido de ajuda feito a Grass.