Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | De olho no governo, Glauber quer resgatar Brizola

Deputado ressalta rebeldia do ex-governador | Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Um dos prováveis pré-candidatos do Psol ao governo do Rio de Janeiro, o deputado federal Glauber Braga afirma querer recuperar o legado de rebeldia do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004).

Punido com uma suspensão de seis meses de seu mandato por agredir um militante do MBL, Glauber afirma ser importante recuperar o "Rio rebelde", segundo ele, incorporado por Brizola, pedetista que governou o estado de 1983 a 1987 e de 1991 a 1994.

De acordo com o parlamentar, a memória do político está viva entre os mais velhos e tem sido recuperada por jovens. Citou, como exemplo de suas realizações, a construção, com o o vice Darcy Ribeiro, de mais de 500 Cieps.

 

'Hipocrisia' da direita

Glauber reconhece que o espírito de rebeldia foi, em boa parte, capturado pelo bolsonarismo, mas diz que isso foi feito "de uma forma hipócrita".

Diz que a extrema direita fala em patriotismo mas bate continência para a bandeira norte-americana, cita combate à corrupção mas foi favorável à PEC da Impunidade, destaca o combate à violência, "mas alia-se a organizações criminosas".

Definição até março

O gaúcho Leonel Brizola governou o Rio por duas vezes | Foto: Reprodução/site do PDT

Diferentemente de dois vereadores do Psol carioca — Thais Ferreira e William Siri —, Glauber ainda não manifestou oficialmente o desejo de ser candidato ao Palácio Guanabara.

Segundo ele, isso será definido ao fim de 50 reuniões em diversas cidades fluminenses. Há apoiadores que defendem a continuidade de sua presença na Câmara.

Mas reconhece estar "disposto e com vontade" de apresentar sua candidatura, o que tem que ser feito até março. Ele garante que o Psol terá candidato ao governo.

Sem voto útil

O deputado avalia que tem chance de chegar ao segundo turno, até pela mudança no quadro. Apesar do provável apoio do PT a Eduardo Paes (PSD) não haverá, diz, um apelo ao voto útil da esquerda contra o bolsonarismo que marcou a eleição para a prefeitura em 2024. Para ele, até mesmo o governador Cláudio Castro (PL) tende a ficar com Paes, mesmo de forma não explícita.

Tampão

Ele admite ser candidato a governador-tampão, caso Castro renunciar em abril para se candidatar ao Senado. Como o estado não tem vice-governador (Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado), haveria eleição indireta para eleger quem completará o mandato do governador.

Animação

Glauber sabe não ter chance de ser eleito pela Assembleia Legislativa para o mandato-tampão — o Psol, afinal, tem apenas cinco dos 70 deputados estaduais. Mas vê na anticandidatura uma oportunidade para falar da disputa pelo Palácio Guanabara que ocorrerá em outubro. "Estou animado", resume.

De molho

Para o deputado estadual Carlos Minc (PSB), a decisão da Justiça de embargar obras de construção de prédios no terreno do antigo Instituto Bennett, no Flamengo, terá consequências em outros empreendimentos. "Os empresários vão colocar as barbas de molho", prevê o ex-ministro do Meio Ambiente.

Compensação

A decisão foi motivada pela derrubada, autorizada pela prefeitura, de 71 árvores que, por decreto assinado por Paes em 2014, eram imunes ao corte. Minc ressalta se preciso mudar o processo em que construtoras se comprometem a plantar novas árvores. Diz, que, nos últimos três anos, 300 mil delas deixaram de ser plantadas.

Mudança na ordem

Para ele, é preciso fiscalizar o plantio, garantir que as árvores fiquem em bairros próximos de onde houve os cortes. Quer também estabelecer que não vale plantar mudas que vão demorar dez anos para dar sombra. Defende que a compensação tem que ser concluída antes do início das construções.

Não vale o escrito

A Liesa disse a correspondentes estrangeiros que será possível gravar gravar a evolução das escolas na concentração. A medida, comemorada pelos jornalistas, vai de encontro ao regulameto, que estabelece a proibição. O Rio anda de um jeito que nem em entidade dominada por bicheiros vale o que está escrito.