Por: Fernando Molica

CORREIO BASTIDORES | Investigação sobre Lulinha preocupa Palácio do Planalto

Carlos Viana (Podemos-MG) preside a CPMI do INSS | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A confirmação, pela Polícia Federal, de que investiga a eventual ligação de um dos filhos do presidente Lula com empresário suspeito de envolvimento com a máfia do INSS passou a ser a maior preocupação do Palácio do Planalto.

Independentemente de culpa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a investigação em si é vista como capaz de gerar danos para o presidente e de recuperar a associação entre o PT e a corrupção que tanto prejudicou o partido na eleição de 2018.

Em 18 de dezembro, ao ser questionado por jornalistas, Lula disse que, se estivesse envolvido, seu filho seria investigado.

 

Caso reforça oposição na CPMI

Para governistas, o fato tem poder de ressuscitar a CPMI do INSS, que andava meio esquecida — pior, tende a desequilibrar a apuração, que apontava fraudes também durante o mandato de Jair Bolsonaro.

Deputados e senadores ligados ao governo mantinham o discurso de que o problema começara antes da volta de Lula para o Planalto e que o petista fora responsável pela apuração do escândalo. O caso Lulinha abala esta versão.

Prorrogação das investigações

'Careca do INSS': suposta ligação com filho de Lula | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Até agora, a bancada governista vinha conseguindo barrar a convocação de personagens ligados ao presidente, como o irmão dele José Ferreira da Silva, o Frei Chico.

Um avanço das investigações sobre Lulinha dificultaria a blindagem da família do presidente. A PF recolheu indícios de ligação do filho de Lula com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

A CPI tem prazo até o fim de março, mas a oposição quer esticá-la até junho para aproximlá da eleição, que será no início de outubro.

Carinho no ministro

Claro que pode não passar de coincidência, mas o governo fez um carinho no ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso que investiga os descontos indevidos de aposentados do INSS.

O Ministério da Educação liberou o Instituto Iter, que tem Mendonça como sócio, a criar um curso de pós-graduação. O Iter não é oferece cursos superiores.

PL na Segurança

O PL decidiu pressionar o governo numa área particularmente sensível, a da segurança. Dono da maior bancada, o partido tem prioridade para escolher o comando de duas comissões da Câmara. Decidiu que uma delas será a de Saúde e, a outra, a de Segurança Pública e de Combate ao Crime Organizado.

Oficiais do NE

De acordo com o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), a presidência da comissão ficará com um deputado do Nordeste. Ainda não foi decidido se será o Capitão Alden, da Bahia, ou Coronel Meira, de Pernambuco. Os dois são oficiais da reserva da Polícia Militar.

Alvo da escolha

A decisão de entregar a presidência a um deputado nordestino não foi por acaso. A região concentra a maior parte dos eleitores do presidente Lula e tem sofrido com a expansão da criminalidade. Dos dez estados com maiores índices de mortes violentas intencionais em 2025, cinco ficam no Nordeste.

Fragilidade

"O que mexe com o povo é a segurança, e a violência é o calcanhar de Aquiles da esquerda", afirma Sóstenes. Ele diz que tem 90% de chances de continuar na liderança do PL. Alvo de um mandado de busca e apreensão por suposto desvio de verba da cota parlamentar, ele não deverá ser candidato ao Senado e tentará a reeleição à Câmara.

Batata quente

Por falar nisso: o senador Carlos Portinho (PL-RJ) não quer nem ouvir falar em disputar o governo do estado. A escolha de um candidato de direita virou um problemaço depois da prisão do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar. A batata do Palácio Guanabara ficou quente demais.

Armadilha

Indicado por Lula para o STF, Jorge Messias corre o risco de enfrentar armadilha preparada pela oposição no Senado: a de ter seu nome aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e acabar barrado pelo plenário. Ele até mandou mensagens de Boas Festas para a oposição, que aposta na sua derrota.