Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Oposição quer forçar abertura de CPMI do Banco Master

PL diz que Moraes será um dos alvos da investigação | Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Uma das prioridades da oposição na reabertura do Congresso será criar uma CPI mista para apurar o caso do Banco Master. O principal alvo será o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, inimigo número 1 dos bolsonaristas.

O escritório de advocacia da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato com a instituição financeira que previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões. De acordo com reportagens, o ministro também teria atuado junto ao Banco Central para favorecer o Master.

Segundo os líderes do PL na Câmara e no Senado, Sóstenes Cavalcante e Carlos Portinho, já há número suficiente de assinaturas para que a CPMI seja instalada.

 

Investigação mista é mais simples

Sóstenes ressalta que a criação de uma CPMI é mais simples do que a de uma CPI numa das duas casas.

O regimento do Congresso prevê instalação "automática" caso haja assinaturas suficientes. Não há necessidade de publicação do requerimento de criação pelo presidente da Câmara ou do Senado.

Mas para ser formalizada, a CPMI depende de convocação de uma sessão do Congresso.

Nas mãos de Alcolumbre

Presidente do Congresso precisa convocar sessão | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

E é aí que a situação fica complicada: a sessão precisa ser convocada pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), aliado do governador de seu estado, Clécio Luís (Solidariedade).

Uma CPMI não poderia deixar de investigar a compra de papéis do Master por fundos de pensão de alguns estados, entre eles, o Amapá e o Rio de Janeiro.

Também de oposição, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), não escaparia da investigação, já que tentou fazer o BRB comprar o Master.

O veto e o voto

Sóstenes e Portinho contam com um trunfo para que Acolumbre convoque uma sessão do Congresso: a necessidade de exame do provável veto do presidente Lula (PT) ao projeto de lei que facilita a vida de condenados por golpismo.

O projeto passou com facilidade na Câmara e no Senado, o que indica grande chance de o veto ser derrubado.

STF é dúvida

Assinaram o pedido de CPMI políticos do PL e uma ala à direita do Centrão; o PT ficou fora. Se Alcolumbre enrolar, a oposição pode recorrer ao STF, mas Portinho duvida que a corte vá repetir o que fez com a CPI da Covid e obrigar o Congresso a instalar a CPMI — esta, afinal, investigará um ministro.

Samba na mira 1

Por falar no Sóstenes: ele disse à coluna que acionou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência. Quer que eles mobilizem advogados do partido para que tentem impedir a homenagem a Lula no Sambódromo, pela Acadêmicos de Niterói.

 

Samba na mira 2

O líder do PL afirmou que espera respostas de Valdemar e de Flávio. Para ele, a escola fará campanha eleitoral com uso de verbas públicas. Como mostrou a Coluna Magnavita, a Acadêmicos e a Viradouro, escolas de Niterói, receberam, respectivamente, R$ 4 milhões e R$ 5 milhões da prefeitura da cidade.

 

Pedra no caminho

A decisão de Flávio de tentar o Planalto parecia ter garantido a Portinho uma vaga para a disputa do Senado. Mas o senador diz que o governador Cláudio Castro (PL), de olho com uma aliança com Eduardo Paes, prefere indicar Pedro Paulo (PSD). "Ele (Castro) quer me tirar do caminho", diz. A outra vaga, em tese, ficará com o próprio governador.

Essa gente

A polêmica gerada pelo palco gospel no Réveillon de Copacabana e por declarações de Paes continua tendo consequências. Representantes de religiões de matrizes africanas decidiram fazer um protesto na próxima quarta, dia 14, diante da Prefeitura do Rio, batizado de "'Essa gente somos nós'".

Estátua

Ainda em 2025, Paes, ao saber de críticas ao palco feitas pelo babalaô Ivanir dos Santos, reclamou do "preconceito dessa gente". No dia 25 haverá ato em Copacabana, em que será reivindicada uma estátua para Tata Tancredo, que levou a homenagem a Iemanjá para as praias. O prefeito declarou que fará o monumento.