Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Venezuela: Planalto aposta em recuo de governadores

Ratinho Júnior e Tarcísio de Freitas apoiaram Trump | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Houve gente no governo que se espantou com a rapidez com que governadores de direita manifestaram apoio ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela.

Ainda que previsível pela necessidade de marcar uma posição divergente em relação à adotada pelo presidente Lula, o gesto foi encarado com uma certa surpresa, já que ainda é cedo para medir as consequências do gesto de Donald Trump.

Há no Planalto a expectativa de que, passadas algumas semanas, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior terão que adaptar suas falas. Um processo semelhante ao que ocorreu com alguns deles em relação às medidas da Casa Branca contra o Brasil.

 

Emendas: PL levou mais que PT

Plenário da Câmara dos Deputados | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A oposição reclama do não pagamento de emendas individuais ao orçamento, mas os governistas podem engrossar ainda mais a voz. 

Dados oficiais mostram que o governo pagou 79% das emendas de parlamentares do PL, mas apenas 73% das apresentadas por integrantes do PT. Este percentual é também menor do que o destinado para colegas que estão mais para o lado da oposição do que o do Planalto.

Psol ficou na rabeira

Foram pagas, em 2025, 85% das emendas do União e do PSD; 83% das do PP e 79% das assinadas por integrantes do Republicanos.

Essas emendas são impositivas, têm que ser pagas, não poderiam servir de barganha por votos no Congresso. Até 31 de dezembro, foram quitados 81% dos R$ 24,598 bilhões previstos. Entre os partidos à esquerda, o PSB foi o que mais teve emendas pagas, 87%; o PDT ficou com 77%; o PCdoB, 70%. O Psol ficou na rabeira, com 37,8%. No total, o governo pagou R$ 31,5 bi em emendas.

Governo deve, não pode negar

No caso das emendas feitas pelas bancadas estaduais — também impositivas —, o calote provisório é maior: só 48,1% foram pagas. O percentual foi inferior até mesmo em relação às emendas de comissões — 72,82% foram quitadas. As contas penduradas entram nos restos a pagar e poderão ser pagas no ano seguinte: governos são mais ágeis em tempo de eleições.

Eduardo Cunha

Não faz tanto tempo, cabia ao governo definir que emendas seriam cumpridas: quem era fiel levava mais. Em 2015, aproveitando-se da fragilidade de Dilma Rousseff, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, comandou a aprovação de emenda constitucional que criou as emendas impositivas.

Congresso decide

Diante das dificuldades enfrentadas por Michel Temer e de Jair Bolsonaro, o Congresso aumentou ainda mais o seu poder de definir despesas, tarefa que, em tese, deveria caber ao Poder Executivo, e não ao Legislativo. Com isso, a obrigatoridade de pagamento de emendas só fez aumentar.

Não para, não para

Em 2016, as despesas com emendas pagas chegaram a R$ 1,984 bilhão; em 2018, ultrapassaram os R$ 5 bilhões. Durante o mandato de Bolsonaro, esses valores mais do que triplicaram e chegaram a R$ 17 bilhões. Em 2023, foram a R$ 21,909 bilhões e, desde o ano retrasado, ultrapassam os R$ 35 bilhões.

Paes cede

Como previsto pela coluna, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), tratou de anunciar em rede social que vai mandar fazer uma estátua em homenagem a Tata Tancredo. Ele foi o pai-de-santo que criou a festa para Iemanjá nas praias, movimento que, aos poucos, foi sendo transformado na grande comemoração de Réveillon.

Pressão

Paes vinha sendo criticado por seguidores de religiões de matrizes africanas desde que inaugurou um batistério para evangélicos e, principalmente, manteve um palco dedicado à música gospel no Réveillon de Copacabana. O protesto está relacionado à origem umbandista das comemorações em praias.

Ato mantido

Apesar da decisão do prefeito, o babalaô Ivanir dos Santos afirmou à coluna que será mantido o protesto marcado para o próximo dia 11, um abraço em Copacabana que reivindicará a estátua. "Eu conheço as promessas dele (Paes)", afirmou o sacerdote, um dos primeiros a fazer críticas ao palco gospel.