Por: Fernando Molica

CORREIO BASTIDORES | Centrão avalia que tomou volta de Jair Bolsonaro

Ex-presidente elegeu filho para a disputa | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Ainda que de maneira discreta, integrantes do Centrão admitem que tomaram uma rasteira de Jair Bolsonaro, que surpreendeu todos eles com o lançamento da pré-candidatura do filho Flávio à Presidência.

Havia a expectativa de que, passada a esperança em relação a uma anistia, o ex-presidente tomaria uma decisão de viés menos personalista e mais política e optaria por um nome com mais trânsito na direção do centro.

Para se mostrarem confiáveis a Bolsonaro, governadores como Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas, fizeram discursos mais radicais, deram guinadas para a direita — prejudicaram suas imagens diante do eleitor mais moderado, e ficaram na chuva.

 

Tarcísio foi o mais afetado

Governador Tarcísio de Freitas | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Ao longo dos últimos meses, Boslonaro deu repetidos sinais de que aceitaria apoiar um candidato que não carregasse seu sobrenome, o que encorajou aliados e empresários — estes, em sua maioria, entusiasmados por Tarcísio.

A indefinição atrapalhou, principalmente, o governador de São Paulo que, para não criar atritos com o ex-presidente, evitava se dizer candidato ao Planalto

 

Medo de ser abandonado

O senador foi a escolha segura do pai | Foto: Edilson Rodrigues/Ag. Senado

"Caímos direitinho", comenta um importante integrante de um partido identificado com o Centrão.

Para ele, no fim das contas, Bolsonaro agiu de maneira compatível com sua biografia, e optou pelo caminho que considera mais seguro.

Além de ter muito medo de ser traído, o ex-presidente teme que a ascensão de um outro político de direita à Presidência faça com que ele acabe abandonado e esquecido, vire carta fora do baralho. Prefere perder com o filho do que ganhar com um aliado inconfiável.

Esperança

Já tem gente no governo achando que essa rasteira dada por Bolsonaro em aliados pode desestimular deputados e senadores do Centrão a votarem contra o anunciado veto de Lula ao projeto que facilita a vida dos condenados por golpismo. Seria assim uma espécie de troco dos que se sentiram traídos.

Suicídio

A boa performance de Flávio em pesquisas desanima o lançamento de outro candidato. A permanência da polarização indica que outro nome da direita teria que, principalmente, disputar votos com o filho do ex-presidente, o que, hoje, é visto como um suicídio. Isto, principalmente, pelo grau de adoração que Bolsonaro desperta em seus eleitores.