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CORREIO BASTIDORES | Deputado: Motta cometeuo mesmo erro de setembro

Glauber Braga é retirado da Mesa por policiais legislativos | Foto: Reprodução Redes/ sociais

Para um deputado do Centrão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), repetiu ontem o erro que cometeu em setembro, quando colocou para votar, na mesma semana, a urgência do projeto de anistia e a PEC da Blindagem. Ao tentar passar o rolo compressor, ele acabou provocando a reação de parte da sociedade.

Segundo o parlamentar, Motta jamais poderia ter pautado a proposta de redução de penas para golpistas no mesmo dia em que anunciou a votação da cassação do mandato do deputado Glauber Braga (Psol-RJ). Ele deveria saber que o parlamentar tomaria alguma atitude radical, já que não teria nada a perder — em abril, ele fizera greve de fome para protestar contra a medida.

 

Esperança

No início da noite de ontem, quando Glauber ainda era retirado do plenário por integrantes da Polícia Legislativa, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ) disse ao Correio Bastidores que, apesar de todo o tumulto, a votação da proposta de redução de penas seria votada assim que a sessão fosse retomada. Por volta das 19h, Motta conseguiu reabrir os trabalhos, apesar dos protestos de integrantes da bancada governista.

Retirada, corte e agressão

Motta é responsável pela pauta da Câmara | Foto: Kayo Magalhães - Câmara dos Deputados

Além de mandar tirar Glauber Braga à força da cadeira de presidente — atitude diferente da que tomou quando a Mesa foi ocupada por bolsonaristas — houve corte do sinal da TV Câmara e retirada dos jornalistas do plenário. O policial legislativo Marcelo Guedes de Resende foi acusado de agressão por diversos repórteres que estavam no Salão Verde, na entrada do plenário da Câmara. O conjunto das atitudes determinadas ou admitidas por Motta revoltou ainda mais os deputados ligados ao governo.

Ordem de Bolsonaro

Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) atribuiu a uma ordem de Jair Bolsonaro a decisão do partido de votar a favor na proposta de diminuição de penas. Segundo ele, o ex-presidente levou em conta a situação dos que estão presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023, e que serão imediatamente beneficiados caso o projeto vire lei.

Semiaberto

A maior parte dos que ainda estão presos já tem tempo de cadeia suficiente para ser beneficiada pela progressão de regime. Eles poderiam migrar para o semiaberto. Até a semana passada, Sóstenes rejeitava qualquer possibilidade de acordo para a aprovação da redução de penas e insistia na anistia.

Destaque

O líder do PL chegou a dizer para o  Correio Bastidores que pediria um destaque que mudaria o texto do relatório assim que este fosse apresentado pelo relator, Paulinho da Força. O destaque iria propor uma anistia ampla e, caso fosse aprovado, substituiria e sepultaria o relatório. Ontem, porém, a posição era outra.

Sem reeleição

Ainda no calor dos acontecimentos do início da noite de ontem, havia um início de formação de consenso na Câmara: vai ser praticamente impossível que Hugo Motta consiga se reeleger para o comando da Casa. Ao longo de seu mandato, tem conseguido brigar com a esquerda e com a direita.

Temperamento

O que complica ainda mais a situação de Glauber é a postura hostil que ele tem com boa parte dos colegas. Por mais que tenha razão em apontar abusos no uso de emendas parlamentares, ele quebrou um princípio da colegialidade — todos ali foram eleitos pela população. Isso dificulda a formação de corrente de solidariedade.

Intenção

Para um partido do Centrão, a iniciativa de Hugo Motta de pautar a redução de penas fez parte de seu projeto de fazer uma faxina em temas que complicaram os trabalhos ao longo de 2025. Queria evitar que eles continuem presentes em 2026, um ano eleitoral, o que complicaria tudo ainda mais. Deu tudo errado.

Nota dúbia

Logo depois da confusão, Motta soltou uma nota em que criticou Glauber e o extremismo. No último parágrafo, disse ter determinado a apuração "de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa". Não deixou claro se a queixa era em relação aos jornalistas ou aos seus agressores.