Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Centrão: Bolsonaro indicou Flávio para pressionar Tarcísio

Flávio Bolsonaro foi colocado na sala de visitas pelo pai | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Bolsonaro colocou Flávio na sala: integrantes do Centrão que querem Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa da Presidência apostam que a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não passa de uma releitura da velha piada do bode posto dentro de casa para calar as queixas dos moradores.

Por essa visão, ao abençoar o filho, Jair Bolsonaro pretendeu pressionar Tarcísio para que ele deixe o Republicanos e entre no PL — só assim que o governador de São Paulo poderia ser candidato ao Planalto com seu apoio.

O blefe teria sido assim motivado pela notícia de que o Republicanos contratou, por R$ 6 milhões, o marqueteiro Pablo Nobel para cuidar da campanha de Tarcísio.

 

PL rejeita troca de 22 por 10

Diante da notícia da contratação, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcanti (PL), chegou a ironizar o gasto e ressaltou que seria dinheiro jogado fora, já que, para ter o apoio de Bolsonaro, Tarcísio teria que trocar de partido.

Ao ligar os fatos, o Centrão aposta na existência de uma pressão por parte do ex-presidente e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Eles não querem que o eleitor troque o 22 pelo 10 do Republicanos.

Independência ou morte

Tarcísio faz careta para a imagem de radical | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Não se trata apenas de numerologia, mas de cifras. Uma candidatura como a de Tarcísio teria chance de puxar uma forte bancada na Câmara para o Republicanos que poderia, assim, ter mais deputados que o PL.

A quantidade desses parlamentares é o critério para a distribuição dos bilionários fundos partidário e eleitoral.

O problema é que Tarcísio não quer ir para o PL, avalia que isso reforçaria demais sua ligação e, mesmo, uma subordinação ao ex-presidente. Uma situação que, avalia, seria ruim até do ponto de vista eleitoral.

Baixos teores de bolsonarismo

Para Tarcísio e o Centrão, o melhor seria tentar um caminho como o de Ricado Nunes (MDB) na disputa da prefeitura de São Paulo. Uma candidatura de centro-direita, sem o radicalismo associado a Bolsonaro e filhos. Acreditam que um perfil mais moderado terá mais chances de conquistar o eleitor do que a insistência no tom pega-mata-come que caracteriza o bolsonarismo.

Inevitável

Por enquanto, a ordem em partidos no Centrão é esperar. Mas alguns de seus integrantes já foram procurados por setores empresariais, que não querem abrir mão da candidatura de Tarcísio. O problema é que, sem os votos bolsonaristas, fica difícil eleger alguém da direita, que tende a ser chamado de traidor.

Fernandinho

Ainda na sexta, a disparada do dólar e a queda acentuada da Bolsa traduziram bem o desastre que foi, para o mercado financeiro, o anúncio de Flávio será o candidato. Já tem gente na Faria Lima achando que Fernando Haddad até que é um bom rapaz, um sujeito equilibrado e sensato.

A grande família

Apesar da expectativa de que tudo não passe de uma jogada de Bolsonaro para pressionar Tarcísio, manter-se no noticiário político e forçar a anistia, muita gente no mercado no Centrão lembra de um fato notório: o ex-presidente deu repetidas provas de que pensa mesmo em si e na própria família.

O de sempre

De qualquer maneira, há também a percepção nesses partidos de centro-direita de que a eventual manutenção da candidatura de Flávio permitirá que eles migrem para uma posição já conhecida, a de não ficar nem lá bem cá. Uma postura tradicional do Centrão e que, ao longo do tempo, rende cargos e lucros para integrantes do grupo.

Passado rachado

No PT, a indicação de Flávio foi vista como positiva, já que reforça a ideia de que a direita é bem mais radical do que a esquerda representada pelo presidente Lula. Há também a lembrança de que o senador tem muitos pontos a explicar em sua biografia, como a história das rachadinhas na Assembleia Legislativa.

Contas e Queiróz

Erros cometidos pelo Ministério Público do Rio impediram o avanço do processo e anularam provas. Mas isso não impede a veracidade do que foi apurado nas investigações, como o fato do assessor Fabrício Queiroz ter quitado com dinheiro vivo contas da família de Flávio. A grana não saíra da conta do 01.