Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Planalto aposta em isenção para dobrar resistentes

Lula e o desafio da baixa classe média | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Palácio do Planalto confia na aprovação da isenção de imposto de renda de quem recebe até R$ 5 mil para tentar melhorar sua popularidade num segmento muito crítico, o de pessoas de renda familiar mensal até este limite.

A nova pesquisa Atlas/Bloomberg revelou que, apesar da melhora de sua avaliação, o governo continua sendo desaprovado pela maioria de brasileiros cujas famílias recebem entre R$ 2 mil e R$ 5 mil (a rejeição é de 56,4% na renda de até R$ 3 mil e de 56,1% na faixa seguinte).

Neste grupo, com renda que varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, a desaprovação subiu (era de 46,4% em junho) e a aprovação caiu, de 52,8% para R$ 43,9%). No universo dos que ganham até R$ 2 mil, a aprovação cresceu de 40,4% para 50,9%

 

Ricos

Realizada entre os dias 25 e 28, depois, portanto, do anúncio da sobretaxa decretada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a pesquisa mostrou que a avaliação melhorou nas faixas de rendas mais altas — nestas, já havia aprovação ao governo.

Mais de R$ 10 mil

Entre os de renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, o índice positivo passou de 52% para 57,1%. No grupo dos que ganham acima, a aprovação era de 54% e passou para 60,2%. A baixa classe média, onde estão muitos pequenos empreendedores, é o grande desafio do governo.

Pesquisa mostra aumento de aprovação da medida

Arthur Lira (PP-AL), relator do projeto de isenção | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Um outro dado da pesquisa reforça a expectativa do Planalto: em julho, aumentou ainda mais — de 77% para 81% — o índice de brasileiros que consideram certa a isenção de IR para os que recebem até R$ 5 mil.

Caso aprovado pelo Congresso Nacional — deverá passar sem dificuldades —, o projeto também concederá vantagens fiscais para ganhos entre este valor e R$ 7 mil.

Outra boa notícia, ainda que indireta, para Lula. A versão argentina da mesma pesquisa mostra que a reprovação do governo de Javier Milei ficou maior que a aprovação — 47,8% contra 45,1%. Em junho, havia um empate, 44,3% a favor; 44,1%, contra).

Pulverização

A reação da família Bolsonaro complica os políticos de direita que defendem uma alternativa aventada pelo próprio ex-presidente: o lançamento de diversas candidaturas conservadoras. O mais bem colocado ganharia os votos dos demais no segundo turno, contra Lula.

Sem rumo

O problema todo é saber se Jair Bolsonaro vai insistir na presença de um parente como candidato a vice ou se baterá pé para que um filho ou a mulher, Michelle, fique com a cabeça de chapa. "Ele é imprevisível", lamenta um aliado, que prefere esperar para ver.

Ganha-ganha

Os três governadores de direita que se lançaram pré-candidatos estão em segundo mandato e não poderão disputar a reeleição. Isso facilita a entrada deles — Ratinho Júnior (PR), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) — na briga presidencial. Têm menos a perder.

Ponte aérea

Bolsonaro quer estar presente, domingo, em dois dos atos convocados por simpatizantes em prol da anistia, previstos para ocorrer em todo o país. As cidades escolhidas são previsíveis — São Paulo e Rio, as duas maiores. No PL, alguns temem um novo fiasco de público.