Por: POR FERNANDO MOLICA

CORREIO BASTIDORES | Governo teme punições como as aplicadas à Rússia

Lula avalia o risco de aumento de retaliações | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A quatro dias da data marcada por Donald Trump para a entrada em vigor das retaliações contra o Brasil, a maior preocupação do Palácio do Planalto é em relação ao que ainda pode ser anunciado pela Casa Branca.

Há o temor de que o presidente norte-americano aplique punições como as impostas à Rússia, como as que busquem inviabilizar ou, pelo menos, atrapalhar, o comércio brasileiro com outros países.

Entre as sanções possíveis está o impedimento de uso, pelo Brasil, da rede Swift, sistema de pagamentos que viabilizar transações entre instituições financeiras de diferentes nações.

Em 2022, EUA, Canadá e União Europeia decidiram banir bancos russos do Swift em consequência da invasão da Ucrânia.

 

Risco

"O cara (Trump) é maluco, não tem limites, pode usar qualquer arma", avalia um auxiliar do presidente Lula (PT). Para ele, a taxação de 50% é muito grave e, caso implantada, vai gerar problemas como desemprego que, com o tempo, podem ser contornados.

Contaminação

A questão maior, porém, são outras medidas que podem ser tomadas pela Casa Branca e que, na prática, serviriam de elemento de pressão para que outros países deixassem de negociar com o Brasil. O comércio com os Estados Unidos é essencial para a maioria das nações.

Banimento do Swift determinaria busca de saídas

Mark Rutte, da Otan, ameaçou o Brasil | Foto: Monika Flueckiger/ World Economic Forum

Eventuais medidas restritivas obrigariam o país a refazer todos os seus mecanismos relacionados à compra e venda de produtos e serviços.

O bloqueio à Rússia determina que sistemas paralelos também sejam utilizados para o pagamento de importações do país de Vladimir Putin feitas pelo Brasil.

Há menos de duas semanas, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, ameaçou punições a Brasil, Índia e China caso esses países continuassem a comprar diesel da Rússia.

O fechamento do mercado europeu ao produto fez que seu preço caísse e se tornasse atrativo para outros mercados, inclusive o brasileiro.

Roda viva

O aumento da pressão norte-americana gera um efeito cascata: faz com que países do Brics, como Brasil, Rússia, Índia e China, acelerem medidas para encontrar alternativas para viabilizar o comércio internacional, o que irrita ainda mais a Casa Branca.

Dependência

Apesar do temor de restrições, o governo avalia que a dependência de outros países a produtos agrícolas brasileiros limita a ação dos Estados Unidos. Exportações de milho e soja são essenciais para a produção de ração animal na China e na União Europeia.

Inflação

Apesar de Lula ter reiterado a possibilidade de criar retaliações à taxação de Trump, há, no governo, a avaliação de que as medidas não devem ser tomadas em relação às importações de produtos. Isso, para não aumentar seus preços e gerar inflação por aqui.

Os alvos

A tendência é de que a resposta brasileira aos EUA ocorra em produtos ligados à propriedade intelectual — haveria quebra de patentes de medicamentos, mudanças no respeito aos direitos autorais e taxação de produtos como filmes e empresas de streaming.