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BRASILIANAS | Zoo de Brasília aposta em novo casal de onças e acompanha romance entre sobreviventes de histórias improváveis

George foi resgatado das queimadas no Mato Grosso; Meia-Noite era criada ilegalmente como animal de estimação no Pará -- Compatibilidade definirá próximos passos

BRASILIANAS | Zoo de Brasília aposta em novo casal de onças e acompanha romance entre sobreviventes de histórias improváveis
A equipe técnica monitora o comportamento dos animais Crédito: Divulgação

O Zoológico de Brasília iniciou uma operação delicada que mistura conservação ambiental, ciência e paciência. A instituição trabalha para aproximar George e Meia-Noite, duas onças-pintadas que chegaram ao Distrito Federal após trajetórias marcadas por resgates e que agora podem formar um novo casal dentro do programa nacional de conservação da espécie.

A aproximação começou após a transferência de Peter, irmão de George, para o Bosque e Zoológico Fábio Barreto, em Ribeirão Preto (SP). A mudança seguiu orientações técnicas do programa de manejo da onça-pintada, que busca ampliar a diversidade genética de animais mantidos sob cuidados humanos e incentivar a formação de pares reprodutivos em diferentes instituições do país.

Se a história de George já chama atenção, a de Meia-Noite não fica atrás.

George chegou ao Zoológico de Brasília em 2021. Ele e o irmão foram encontrados ainda filhotes e órfãos em uma área do Mato Grosso devastada por incêndios florestais. Resgatados por equipes ambientais, os dois receberam atendimento especializado e passaram a viver sob cuidados humanos. Durante anos compartilharam o mesmo recinto, mas a maturidade trouxe um comportamento esperado para a espécie: a necessidade de separação dos machos.

Já Meia-Noite desembarcou em Brasília em abril de 2025 após ser resgatada em Santarém (PA). A onça-pintada melânica, conhecida popularmente como onça-preta, era mantida ilegalmente como animal de estimação. O contato excessivo com seres humanos deixou marcas em seu comportamento, considerado muito mais dócil do que o observado em animais da mesma espécie na natureza. Por essa razão, técnicos avaliam que ela não possui condições de retornar ao ambiente silvestre.

Agora, os dois protagonistas de histórias tão distintas passam pela etapa mais importante da possível formação do casal: a adaptação.

Macaque in the trees
A iniciativa integra as estratégias nacionais de conservação coordenadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pela Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB) | Foto: Divulgação

Por enquanto, George e Meia-Noite ainda não dividem o mesmo espaço livremente. O manejo adotado pela equipe técnica prevê o revezamento no recinto para que cada animal reconheça cheiros, marcas e sinais deixados pelo outro. Veterinários, biólogos e tratadores observam atentamente cada reação antes de avançar para uma nova fase.

Segundo o diretor-presidente do Zoológico de Brasília, Wallison Couto, a formação de um casal depende muito mais do comportamento dos animais do que da vontade dos técnicos.

“A formação de um casal não depende apenas da aproximação física, mas, principalmente, da compatibilidade entre os indivíduos. Por isso, não trabalhamos com prazos ou expectativas pré-estabelecidas”, afirma.

Caso a aproximação evolua positivamente, George e Meia-Noite poderão integrar os esforços nacionais de conservação da onça-pintada, espécie considerada vulnerável à extinção em território brasileiro.

O zoológico ressalta, porém, que não há garantia de reprodução. Antes de qualquer passo adiante, será preciso que os dois felinos façam aquilo que nem sempre acontece por decreto: gostem um do outro.