Por: por William França

BRASILIANAS | Após citação sobre banco Digimais, Universal reage e Record Brasília suspende cobertura de Celina no GDF

Celina Leão participa de programa popular da TV Record | Foto: Reprodução/YouTube TV Record

Fala sobre Digimais irrita base evangélica e tensiona Republicanos

'Brasilianas' apurou suspensão da cobertura do GDF pela Record TV

A fala da governadora Celina Leão (PP) sobre o Banco Digimais, anteontem durante o Brasília Summit, desencadeou uma crise que ultrapassa o debate financeiro sobre o BRB e atinge diretamente sua base política.

Ao afirmar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ignorou pedidos de agenda do GDF e ao comparar o tratamento dado ao BRB com o apoio de R$ 9 bilhões ao Digimais, Celina tocou em um ponto sensível para a Igreja Universal do Reino de Deus, que historicamente mantém influência sobre o Republicanos.

O Digimais, antes de ser vendido ao BTG Pactual, integrava um grupo empresarial associado à Universal. A menção pública ao caso foi interpretada por lideranças religiosas como uma crítica política desnecessária, especialmente em um momento em que Celina tenta consolidar uma aliança com o Republicanos para 2026.

“Brasilianas” apurou que a Record Brasília, emissora alinhada à Universal, determinou a suspensão da cobertura do governo local e orientou que o nome da governadora não seja citado no jornalismo. É o que se chama de "colocar na geladeira", em redações. O movimento, raro em ano pré-eleitoral, foi lido como sinal de distanciamento e alerta.

A crise ocorre enquanto o GDF pressiona o Ministério da Fazenda por respostas ao pedido de R$ 6 bilhões para o BRB. A governadora, que se apresenta como gestora de direita e aliada de Michelle Bolsonaro (PL), enfrenta agora o desafio de recompor pontes com o segmento religioso que ocupa postos estratégicos no governo e será decisivo na montagem da chapa ao Palácio do Buriti.

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A governadora do DF, Celina Leão, discursa no Brasília Summit | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Gustavo Rocha segue favorito, mas desgaste com Universal altera ritmo das negociações

A repercussão da fala de Celina Leão sobre o Digimais atingiu diretamente as negociações com o Republicanos para a formação da chapa majoritária de 2026. O partido, que reúne parte das principais lideranças evangélicas do Distrito Federal, avalia que a comparação feita pela governadora com o governo Lula ampliou tensões com a Igreja Universal do Reino de Deus, um dos pilares da articulação conservadora no DF.

O nome mais afetado é o de Gustavo Rocha, ex-chefe da Casa Civil de Ibaneis Rocha e considerado o favorito para ocupar a vaga de vice na chapa de Celina. Embora seja tratado internamente como o nome “ungido”, Gustavo depende do aval formal do Republicanos — e esse aval ficou mais distante após a reação da base religiosa.

Dirigentes do partido afirmam que esperam um gesto público de recomposição antes de retomar as conversas. A avaliação é que Celina, filiada ao PP, precisa reduzir tensões com os grupos pentecostais que ocupam cargos estratégicos no GDF e que serão determinantes na construção da aliança para 2026.

Nos bastidores, a leitura é que a governadora abriu um flanco político ao acionar o tema do Digimais sem medir o impacto sobre aliados diretos. O episódio também reacendeu debates internos sobre o peso das igrejas na estrutura administrativa do DF e sobre o grau de influência que terão na definição da chapa majoritária.