Levantamento da Abrasel-DF revela prejuízo em 28% das empresas e queda de receita em 65%
Endividamento atinge 49% dos estabelecimentos, com destaque para dívidas tributárias
Custos pressionam o setor, que evita repassar aumentos e vê margens encolherem
O setor de alimentação fora do lar começou 2026 em terreno acidentado no Distrito Federal. Pesquisa da Abrasel-DF, realizada entre 23 de fevereiro e 3 de março, mostra que 28% das empresas operaram com prejuízo em janeiro, enquanto 44% registraram lucro e 28% ficaram estáveis. O documento registra: "28% das empresas operaram com prejuízo em janeiro".
O conjunto dos dados revela um início de 2026 marcado por queda de receita, dificuldade de repasse de preços e endividamento elevado, compondo um cenário de alerta para bares e restaurantes do DF.
O faturamento também recuou. Para 65% dos empresários, a receita de janeiro foi menor que a de dezembro, enquanto apenas 22% relataram crescimento e 13% estabilidade.
O dado reforça um início de ano mais fraco, marcado por custos elevados e menor disposição do consumidor para gastar após o período de festas.
A pressão inflacionária segue como obstáculo. O levantamento aponta que 26% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar preços nos últimos 12 meses, conforme o trecho: "26% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar os preços nos últimos 12 meses".
Margem está no limite, diz Abrasel-DF
Entre os que reajustaram, 64% o fizeram dentro ou abaixo da inflação, e só 10% aplicaram aumentos acima do índice, o que indica margens comprimidas.
O quadro se agrava com o endividamento. Quase metade das empresas (49%) tem pagamentos em atraso, sendo as principais dívidas relacionadas a impostos federais (68%), impostos estaduais (45%) e empréstimos bancários (40%). O documento registra: "49% dos estabelecimentos têm pagamentos em atraso".
Para o presidente da Abrasel-DF, Thales Furtado, o setor vive um equilíbrio delicado entre custos crescentes e a necessidade de preservar o consumidor. "Os custos continuam pressionando a operação, mas muitos estabelecimentos evitam repassar esses aumentos para não afastar o consumidor. Isso acaba comprimindo as margens e, em alguns casos, levando ao prejuízo"