Por: por William França

BRASILIANAS | Caixa-Preta (II): Sem subsídios do GDF, passagens de ônibus poderiam custar até R$ 14,10

O registro dos passageiros é feito na catraca | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Transporte público do DF movimentou R$ 2,bilhões em 2025

Subsídios mantém tarifas até três vezes mais baratas que no Entorno

Linhas mais movimentadas no DF estão em Santa Maria, com 6,4 milhões de acessos

No metrô, a Estação Central da Rodoviária foi a recordista de embarques, com 5,5 milhões de usuários

EXCLUSIVO - Os números revelam a dimensão do transporte público no DF. O portal "Mobilidade Transparente", no ar a partir desta semana, mostra que, apenas em 2025, o GDF repassou mais de R$ 2,9 bilhões às cinco maiores empresas de ônibus (Marechal, São José, Urbi, Pioneira e Piracicabana) por 338 milhões de viagens realizadas por elas.

Deste total, R$ 2,2 bilhões foram pagos por meio de subsídio do GDF, enquanto as passagens pagas diretamente pelos usuários arrecadaram outros R$ 706 milhões.

Na segunda reportagem sobre a transparência dada pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) à chamada "Caixa-Preta" do Transporte Público do DF, é possível saber, ainda, qual o valor real das tarifas que poderiam ser pagas pelos usuários caso não houvesse subsídio.

Hoje, os passageiros pagam três valores: R$ 2,70; R$ 3,80 ou R$ 5,50 e, se tiverem o Cartão Mobilidade, podem realizar três viagens consecutivas pagando apenas uma delas. Ou seja, o passageiro gasta no máximo R$ 5,50 para pegar o metrô e dois ônibus, por exemplo.

Sem os subsídios, das linhas atendidas pelas cinco grandes operadoras (as cinco bacias de integração), as que são operadas pela Viação Pioneira custariam R$ 7,80. As operadas pela Viação Piracicabana custariam R$ 8,53. As operadas pela Urbi custariam R$ 9,48 e as do Expresso São José R$ 10,23. As mais caras seriam as linhas servidas pela Marechal, que passam por Taguatinga, Águas Claras e Guará, e que têm o preço mais alto porque estão localizadas em áreas com concorrência de outras empresas — inclusive o Metrô. Elas custariam R$ 10,78.

Maior e menor custo

Dentre todas as 19 operadoras, a linha que tem maior custo é a que atende o trecho entre Sobradinho e o Núcleo Rural Monjolo, que (sem o subsídio) teria a tarifa de R$ 14,10 — o usuário paga R$ 5,50. No outro extremo, a linha com o menor custo é a que atende o Núcleo Rural Casa Grande, no Gama, que custa R$ 5,16 para o GDF e o usuário paga R$ 3,80.

Os números de passageiros transportados também impressionam. A linha que mais transportou passageiros em 2025 foi uma interna em Santa Maria (linha 3302), que teve 6,4 milhões de acessos. Ela faz o transporte na divisa do DF com o Novo Gama e vai até o BRT de Santa Maria.

A segunda linha mais demandada foi a do BRT de Santa Maria até a Rodoviária do Plano Piloto, com 6,1 milhões de acessos no ano passado. Do outro lado da cidade, aparece a terceira colocada: a que liga o trecho 2 do Sol Nascente até a Marginal da EPTG e vai até a Cidade Estrutural. Ela registrou 3,2 milhões de acessos (a metade da recordista).

Na ponta oposta, a linha que menos transportou passageiros foi uma que funcionou em Brazlândia, ligando o hospital regional a uma área de expansão da Quadra 33/34. Ela transportou apenas 14 passageiros durante seu funcionamento.

Metrô transportou 41,2 milhões de pessoas em 2025

Os dados do Metrô também estão disponíveis e revelam, por exemplo, que foram transportadas mais de 41 milhões de pessoas em 2025: 41.232.836, mais precisamente. É possível saber quantas pessoas embarcaram em cada uma das 27 estações em operação.

Ano passado, a Estação Central (001), na Rodoviária, recebeu mais de 5,5 milhões de pessoas e foi a recordista. O dia com maior registro foi 6 de janeiro de 2025, quando embarcaram 30.210 pessoas. Este ano, o recorde foi no domingo de Carnaval, quando a Estação Central recebeu 20.918 pessoas. No metrô, o segundo lugar ficou com a Estação Shopping, com 3,2 milhões de acessos.

Na ponta oposta, está a Estação da 110 Sul, com 353 mil acessos, e a da 108 Sul, com 379 mil passageiros embarcados.

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AS passagens pagas diretamente pelos usuários arrecadaram R$ 706 milhões em 2025 | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

No Entorno, tarifas até três vezes mais caras

Enquanto no Distrito Federal os passageiros continuam pagando tarifas congeladas de R$ 2,70, R$ 3,80 e R$ 5,50 até o fim de 2026, graças ao subsídio do governo local, no Entorno os valores são significativamente mais altos e sofreram reajuste recente de 2,546% aprovado pela ANTT.

Em cidades como Novo Gama (R$ 12,35), Águas Lindas (R$ 11,43) e Luziânia (R$ 10,97), os preços ultrapassam o dobro — e chegam a ser quase três vezes maiores — do que as tarifas praticadas no DF. Até mesmo rotas mais curtas, como Valparaíso, variam entre R$ 5,18 e R$ 9,39, ainda acima das passagens do sistema integrado da capital.

Essa diferença evidencia o peso do subsídio do GDF para manter o transporte acessível dentro do Distrito Federal, em contraste com os custos elevados enfrentados diariamente por cerca de 380 mil trabalhadores que se deslocam do Entorno para Brasília.

Sem esse aporte bilionário, os usuários do DF estariam pagando valores próximos aos praticados nas linhas metropolitanas, como Santo Antônio do Descoberto (R$ 10,71), Cidade Ocidental (R$ 8,87), Planaltina de Goiás (R$ 11,63) e Formosa (R$ 8,20).

O contraste mostra que, enquanto no DF é possível realizar até três viagens consecutivas pagando apenas uma tarifa de R$ 5,50 com o Cartão Mobilidade, no Entorno um único deslocamento pode custar quase R$ 15,00, tornando o trajeto diário muito mais oneroso para quem depende do transporte coletivo.