Por: William França

BRASILIANAS | EPNB terá pavimento misto: nova faixa em concreto para o BRT e demais pistas em asfalto

A EPNB recebe cerca de 70 mil veículos por dia | Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Estudos apontaram que obra integral em concreto levaria 28 meses e causaria colapso no tráfego

Rodovia passará de três para quatro faixas por sentido

Nova faixa em concreto será destinada ao transporte coletivo

A definição sobre como será feita a restauração da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB/DF-075) passou por uma revisão estratégica. Inicialmente, o Governo do Distrito Federal (GDF) havia anunciado que toda a rodovia seria reconstruída em pavimento rígido de concreto, seguindo o modelo da Via Estrutural (DF-095). A proposta, apresentada em fevereiro de 2024 pelo secretário de Governo, José Humberto Pires de Araújo, foi recebida com entusiasmo pelo setor da construção civil.

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A extensão da reforma que está prevista para a EPNB | Foto: DER-DF

No entanto, estudos técnicos mostraram que a adoção integral do concreto traria impactos severos para o trânsito. O processo construtivo exige um período de cura mínima de 7 a 28 dias, durante o qual não é possível liberar o tráfego pesado. Para os 11,5 km da EPNB, estimava-se um prazo de 28 meses de execução, contra 18 meses se fosse utilizado o asfalto. Além disso, os custos por quilômetro não apresentavam diferença significativa: cerca de R$ 3,32 milhões para o concreto e R$ 3,06 milhões para o asfalto.

Diante desse cenário, o GDF decidiu por uma solução híbrida. A rodovia, que hoje conta com três faixas por sentido, ganhará uma nova faixa à esquerda, construída em concreto. Essa faixa funcionará como desvio durante as obras e, posteriormente, será incorporada ao Corredor BRT Sudoeste, previsto no Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU). Com isso, a EPNB passará a ter quatro faixas por sentido.

As demais pistas serão restauradas com concreto asfáltico usinado a quente (CAUQ), solução mais produtiva e menos impactante para o tráfego. O asfalto pode ser aplicado em turnos diurnos e noturnos, acelerando a obra e reduzindo os transtornos para os usuários. Já o concreto, embora mais durável, será reservado à faixa exclusiva de transporte coletivo, garantindo maior vida útil e menor necessidade de manutenção futura.

Segundo disse a "Brasilianas" o secretário de Obras, Valter Casimiro, a ideia inicial de trocar todo o revestimento por concreto “não seria razoável para a cidade”, já que não há pista paralela para desvio e o tempo de cura inviabilizaria a operação plena da via. A escolha pelo modelo misto busca equilibrar durabilidade, custo e prazo, além de preparar a infraestrutura para o futuro sistema de transporte público de alta capacidade.

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Regiões do DF que serão impactadas pela reforma da EPNB | Foto: DER-DF

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