Por: por William França

BRASILIANAS | Asfalto da EPNB se dissolve com as recentes chuvas, enquanto o GDF aguarda análise de reforma pelo TCDF

As fortes chuvas dos últimos meses agravaram a situação da EPNB | Foto: Ivan Félix - Brasilianas

Rodovia estratégica do DF, com 70 mil veículos por dia, enfrenta colapso do pavimento

Relatório técnico apontava situação regular, mas trechos já expõem a sub-base

Certame previsto para setembro de 2025 foi suspenso

EXCLUSIVO - O colapso do pavimento da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB/DF-075) escancara a urgência de uma obra orçada em mais de R$ 103 milhões, mas que permanece paralisada.

A rodovia, que recebe cerca de 70 mil veículos por dia e é uma das principais ligações entre Brasília, o Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Samambaia e a BR-060 rumo a Goiânia e ao Sul do país, tem trechos em que o asfalto já desapareceu, expondo a sub-base — a camada de terra compactada que deveria estar protegida pelo revestimento.

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A Estrada-Parque Núcleo Bandeirante está deteriorada | Foto: Ivan Félix - Brasilianas

As chuvas recentes aceleraram o processo de deterioração. Em vários pontos, os defeitos técnicos se apresentam em diferentes formas:

• Panela ou Buraco: cavidades que rompem o revestimento e atingem camadas inferiores, resultado da evolução de trincas não tratadas.

• Desgaste ou Desagregação (Nível Severo): quando a capa de asfalto desaparece gradualmente em áreas extensas, deixando o solo visível.

• Recalque ou Afundamento: ocorre quando a compactação do subleito é insuficiente e a pista cede sob o peso dos veículos, quebrando o asfalto e expondo a terra.

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Desgaste ou Desagregação (Nível Severo): quando a capa de asfalto desaparece gradualmente em áreas extensas, deixando o solo visível | Foto: Ivan Félix - Brasilianas

Relatório está defasado

Relatório técnico de junho de 2024, feito pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) já havia apontado trafegabilidade “regular”, com Índice de Gravidade Global (IGG) de 70 no trecho entre a EPIA e a BR-060 (sentido Samambaia) e 51 na via oposta, sentido Plano Piloto. De acordo com normas do DNIT, valores entre 40 e 80 classificam o pavimento como “Regular”. Quanto mais baixo o IGG, pior a rodovia.

Hoje, porém, a situação é mais grave do que levantado há um ano e meio: trechos inteiros já apresentam falhas severas, aproximando-se da classificação “Ruim” ou “Péssimo”. As fortes chuvas dos últimos meses agravaram a situação.

Apesar disso, o projeto de restauração e ampliação da EPNB segue travado. A licitação, prevista para setembro de 2025, foi suspensa e está sob análise do Tribunal de Contas do DF (TCDF). O certame, estruturado como Concorrência Eletrônica nº 90021/2025, previa disputa aberta pelo critério de maior desconto e tinha valor estimado de R$ 103.161.864,43.

A paralisação decorre da necessidade de correções processuais determinadas pela Decisão nº 2809/2025 do TCDF. Em outubro do ano passado, o DER-DF encaminhou documentação revisada, que segue em análise pelo corpo técnico da Corte.

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Rodovia estratégica do DF, com 70 mil veículos por dia, enfrenta colapso do pavimento | Foto: Ivan Félix - Brasilianas

O projeto prevê serviços de terraplenagem, pavimentação asfáltica e em concreto, drenagem, sinalização, obras complementares e plantio de grama, além da elaboração de projeto executivo e plano de gerenciamento de resíduos sólidos. O prazo de execução estimado é de 540 dias (18 meses). A obra está inserida no Plano Plurianual 2024-2027 e vinculada à ação orçamentária de implantação do Corredor de Transporte Coletivo do Eixo Sudoeste.

Enquanto o processo segue travado, a rodovia se deteriora a olhos vistos. Para os usuários, o colapso do pavimento já é realidade: buracos, desgaste severo e recalques transformaram a EPNB em um desafio diário, reforçando a urgência de uma intervenção que ainda depende de aval técnico e jurídico.

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Hoje, porém, a situação é mais grave do que levantado há um ano e meio | Foto: Ivan Félix - Brasilianas