Com cerca de 5,5 milhões de exemplares, o Distrito Federal carece de inventário por região administrativa; dados disponíveis revelam forte desigualdade na distribuição das áreas verdes
Apesar de figurar entre as unidades da Federação com maior cobertura arbórea do país, o Distrito Federal ainda não sabe exatamente onde estão suas árvores. Estimativas oficiais apontam a existência de cerca de 5,5 milhões de exemplares distribuídos pelo território, mas a Novacap confirma que não há inventário por região administrativa, o que impede diagnósticos precisos e planejamento detalhado.
A ausência de dados consolidados contrasta com a relevância ambiental do DF. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 84,2% dos moradores vivem em ruas arborizadas, e 56,4% têm ao menos cinco árvores próximas de casa, índices que colocam Brasília entre as capitais mais arborizadas do Brasil. Ainda assim, especialistas e parlamentares apontam que a distribuição das áreas verdes é profundamente desigual.
Os números disponíveis reforçam essa percepção. Dados recentes de plantio mostram que o Plano Piloto recebeu 7.841 novas árvores entre 2023 e 2024, enquanto regiões como Santa Maria (18), Samambaia (16), Riacho Fundo, Recanto das Emas e Gama (todas com zero plantios registrados) praticamente não foram contempladas. A discrepância também aparece em imagens aéreas, que evidenciam o contraste entre áreas centrais e regiões densamente povoadas, como o Sol Nascente.
DF não tem inventário florestal
A falta de um inventário oficial é apontada como um dos principais entraves para políticas públicas mais equilibradas. Sem saber quantas árvores existem em cada região administrativa — e em que condições elas se encontram — o governo enfrenta dificuldades para planejar plantios, manejar espécies e reduzir desigualdades ambientais.
A recém-promulgada Política Distrital de Arborização Urbana e Combate a Desigualdades Ambientais tenta preencher essa lacuna ao obrigar o Executivo a mapear e planejar a arborização com foco nas áreas mais vulneráveis. Mas, até que o levantamento seja concluído, o DF seguirá sendo um território paradoxal: rico em árvores, pobre em informações sobre elas.