O Reservatório do Descoberto, responsável pelo abastecimento de quase 50% da população do Distrito Federal, voltou a verter na tarde desta segunda-feira (5), após o registro de chuvas intensas nos últimos dias. O nível do lago alcançou a cota máxima de operação, de 1.030 metros, e a previsão é de que o transbordamento continue ao longo da semana, dependendo das condições climáticas. O cenário reforça a avaliação técnica de que o DF inicia 2026 fora do risco de crise hídrica.
Entre novembro de 2024 e maio de 2025, o Descoberto registrou um dos mais longos períodos de vertimento de sua história recente, com seis meses consecutivos — 181 dias. Considerado essencial para a regularidade do abastecimento no DF, o reservatório atende regiões como Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e outras áreas do Distrito Federal. Atingir o volume máximo contribui para o planejamento do sistema e fortalece a segurança hídrica ao longo do ano.
Inaugurada em 1974 e localizada às margens da BR070, a Barragem do Descoberto possui 265 metros de extensão de crista e um vertedouro de 55 metros. O lago ocupa 12,5 km² e tem capacidade para armazenar até 86 milhões de metros cúbicos de água.
Último racionamento foi em 2017
O último racionamento de água no Distrito Federal ocorreu entre janeiro de 2017 e junho de 2018, durante o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). O rodízio, que durou 18 meses, foi adotado após os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria atingirem níveis críticos — o Descoberto chegou a apenas 19,1% da capacidade.
O racionamento foi encerrado após a recuperação dos reservatórios, impulsionada por chuvas, redução de consumo e novas obras de captação, como a utilização do Lago Paranoá e a entrada em operação do Subsistema Produtor de Água do Bananal.
Desde 2019, a gestão de Ibaneis Rocha (MDB) à frente do GDF e a Caesb investiram mais de R$ 1,2 bilhão em obras de água e esgoto, com foco na ampliação da infraestrutura, na modernização dos sistemas e na segurança operacional do abastecimento para cerca de 3 milhões de moradores. Até 2029, estão previstos mais R$ 4,2 bilhões em investimentos.
O presidente da Caesb, Luis Antonio Reis, afirma que o comportamento atual do reservatório demonstra a robustez da infraestrutura hídrica do DF. Segundo ele, o sistema opera dentro de condições seguras e passa por monitoramento permanente, o que garante estabilidade no fornecimento. “Ter o nosso maior reservatório vertendo logo no início de 2026 é resultado do trabalho contínuo dos órgãos do GDF para assegurar a segurança hídrica da população”, destacou.