Com curadoria de César Oiticica Filho, o artista visual Wellerson César, nascido, criado e morador do município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, estreia a exposição "Reminiscência", que ficará em cartaz até dia 11 de fevereiro, na galeria do Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, no Rio de Janeiro.
O artista vai expor 24 obras inéditas, pertencentes a duas coleções de sua lavra. A primeira é formada por portraits e cenas do seu cotidiano, feitas em acrílico sobre tela cujos tamanhos variam entre 38X46cm e 50X50 cm.
Em comum, ambas coleções justificam o nome "Reminiscência" que se deve por ser esse trabalho "um processo de lembranças".
Fascinado por imagens, Wellerson criou todas as obras a partir de fotografias dos seus familiares, descendentes dos escravizados vindos da África para o Brasil; além de amigos, vizinhos e cenas tiradas do seu cotidiano na Baixada. Algumas fotos foram tiradas pelo próprio artista, enquanto outras vieram de pesquisas próprias nos acervos particulares.
A partir desses registros, Wellerson trabalha e destaca as babás, matriarcas negras e cafusas altivas, crianças segurando flores em formato de um fuzil, homens negros com suas faces marcadas... Em todas as imagens saltam aos olhos a denúncia contra o racismo. Ela também ajudam a encontrar significado no passado e a entender um pouco parte da história e da cultura brasileira.
O segundo ensaio compõe a mostra "Folhas", realizada com o mesmo processo de criação baseado nas fotos. No entanto, elas são anexadas em folhas de figueiras - árvore que se encontra no quintal de sua casa, onde, na infância, brincava em seus galhos.
Esse trabalho é resultado de um ano de pesquisa de Wellerson, iniciada no atelier Rona Neves. Nas folhas, ele pinta, costura, borda, enverniza e introduz as fotos pintadas em acrílico.
Wellerson desenha desde criança, incentivado pelo pai, um serralheiro que trazia para o filho os toquinhos de lápis e pedaços de papel carbono da empresa onde trabalhava. Posteriormente, Wellerson estudou arte durante dois anos na escola Radar (antiga Escola Rabisco). Instituição idealizada pelo cubano Zé Angel, graduado em Belas Artes e direção de Cinema pela prestigiada Escola Internacional de Cinema de Cuba, junto com Carlos Bobi, artista urbano e periférico de Duque de Caxias.
Atualmente Wellerson César é residente da Vila Bizarte do RJ.
Essa é a primeira vez que Wellerson César expõe em uma galeria da Zona Sul do Rio. Ele já havia participado de várias exposições individuais e coletivas no Centro de Artes Calouste Gulbenkian.
A exposição "Reminiscência" é gratuita e fica aberta diariamente, das 10h às 19h, na galeria do Teatro Gláucio Gill.