A Prefeitura de Duque de Caxias ampliou a Fazendinha do Autista, dobrando a capacidade de atendimento e caminhando para zerar a fila de espera no município. Inaugurado há seis meses, o projeto é pioneiro e voltado à inclusão, ao acolhimento e ao desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neurodivergentes.
Inaugurada em 25 de junho de 2025, a Fazendinha foi inicialmente projetada para atender 500 crianças. Após dois meses de funcionamento, o número de inscritos chegou a 630. Agora, seis meses depois, uma nova ampliação disponibiliza mais 750 vagas, totalizando, a partir de janeiro, atendimento para mais de 1.300 crianças e jovens.
A expansão incluiu a construção de três novas salas e a implantação de duas novas terapias: Ludoterapia Equestre e Metodologia Ciclo TEA, uma terapia multidisciplinar que envolve quatro especialistas: fonoaudiólogo, psicólogo, neuropsicólogo e atendente terapêutico, assistindo até oito crianças por vez, com plano terapêutico individualizado.
A apresentação dos novos espaços à população contou com a presença do prefeito Netinho Reis, da primeira-dama Júlia Reis, de representantes da Câmara de Vereadores e de lideranças comunitárias. Na ocasião, foi realizada uma festa de Natal, com a presença do Papai Noel, que distribuiu presentes aos pacientes.
O prefeito Netinho Reis ressaltou a importância de cuidar das pessoas.
"Eu queria ser lembrado como o prefeito que mais cuidou das pessoas. Inauguramos a Fazendinha do Autista, há seis meses, com 630 crianças; superlotou em 48 horas, e hoje ampliamos com mais 750 vagas, bancadas pela iniciativa privada. A partir de janeiro, atenderemos mais de 1.300 crianças e jovens."
A Primeira-Dama, Júlia Reis, destacou a esperança e o acolhimento que a Fazendinha proporciona às famílias.
"Aqui acolhemos famílias, damos esperança por meio das terapias e promovemos a inclusão dessas crianças e jovens na sociedade, ajudando-os a se tornarem mais socializados e independentes".
Localizada no Parque Ana Dantas, no distrito de Xerém, a Fazendinha do Autista funciona no espaço onde já existia o Complexo Equinovida - Centro de Equoterapia e Reabilitação para Crianças com Necessidades Especiais. O local foi projetado para oferecer um ambiente acolhedor e terapêutico, promovendo os desenvolvimentos social, emocional e motor das crianças.
O espaço trabalha com terapias tradicionais e com um método próprio, batizado de Autismo 360 Graus, que inclui Terapia Assistida por Animais; Hortoterapia; Equoterapia; Musicoterapia; Artes Corporais; Fonoaudiologia; Psicologia; Psicopedagogia; Neuropediatria; Nutrição; Fisioterapia; Serviço Social; Ludoterapia; Atividades da Vida Diária (AVD).
Tudo isso em um ambiente rural com profissionais especializados.
Adriana Bessa, diretora da Fazendinha do Autista, falou como é importante aumentar a capacidade de atendimento da Fazendinha do Autista.
"A ampliação da Fazendinha do Autista significa acabar com a fila de espera e permitir que mais famílias tenham acesso a terapias adequadas. Também oferecemos grupo terapêutico para as mães e cursos em parceria com a Fundec."
Entre os serviços oferecidos, está também o corte de cabelo terapêutico. A Fazendinha conta com um barbeiro preparado para atender crianças que têm dificuldade em realizar esse cuidado em ambientes desconhecidos, garantindo acolhimento e conforto aos pacientes.
Cada ambiente foi planejado para oferecer estímulos sensoriais, cognitivos, afetivos e sociais, respeitando o perfil e as necessidades individuais de cada criança.
Késia Santos da Costa, professora e mãe do Guilherme da Costa do Carmo, de 8 anos, contou que o filho nasceu no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira. Aos sete meses, iniciou a investigação que levou ao diagnóstico de TEA e começou o tratamento. Posteriormente, ao consultar outro pediatra, Késia recebeu a informação de que o diagnóstico só poderia ser confirmado aos seis ou sete anos, o que a levou a interromper as terapias. Com isso, percebeu uma regressão no comportamento do filho.
Késia retomou a busca por diagnóstico e tratamento, e hoje Guilherme é atendido na Fazendinha do Autista desde a inauguração. Ela destaca a evolução do filho, que apresenta dificuldades de coordenação motora, e elogia o atendimento e o acolhimento recebidos.
Antes da transformação em Fazendinha do Autista, o Espaço Equinovida atendia cerca de 250 crianças, com aproximadamente 2 mil atendimentos mensais. Atualmente, o número chega a 13 mil atendimentos por mês.