Defesa de Bolsonaro recorre contra veto a visitas: "Silenciamento"

Recurso apresentado pela defesa de Bolsonaro alega que Moraes ampliou alcance de artigo da Constituição sobre suspensão de direitos políticos

Por Petrônio Viana

Defesa de Jair Bolsonaro questiona argumentos de Moraes para suspensão de visitas de cunho político-eleitoral

A defesa de Jair Bolsonaro impetrou agravo regimental contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de proibir visitas político-partidárias e a divulgação de manifestações de cunho eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros, até o final das eleições deste ano.

O recurso alega que a decisão amplia o alcance do artigo 15 da Constituição, que trata da suspensão dos direitos políticos de condenados pela Justiça, impondo um “silenciamento” do ex-presidente. Para os advogados de Bolsonaro, a medida se baseou em um argumento “genérico” com relação ao que seria uma “visita com finalidades político-eleitorais”.

Reprodução/Redes sociais - Flávio leu carta na qual Jair Bolsonaro pede união em torno de pré-candidatura

“Em nenhum momento, a decisão estabelece quais critérios permitirão concluir que determinada visita eventualmente pretendida entre o agravante e qualquer outro interlocutor poderá ostentar ‘finalidade político-eleitoral’”, diz o recurso. Bolsonaro teve seus direitos políticos suspensos na condenação a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

“A suspensão dos direitos políticos prevista na Constituição não autoriza a imposição de limitações à liberdade de pensamento e de manifestação de ideias, tampouco a ampliação das cautelares anteriormente impostas para vedar, de forma genérica, a divulgação de manifestações político-eleitorais por qualquer meio ou a imposição de restrições fundadas em conceitos jurídicos indeterminados”, afirma o agravo regimental.

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A proibição de visitas e da publicação de mensagens políticas foi suspensa por Moraes após a divulgação, pelo pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em suas redes sociais, de uma carta escrita por Bolsonaro na qual o ex-presidente apontava o senador como seu “porta-voz” e pedia união da direita em torno da candidatura.

Para a defesa de Bolsonaro, as restrições impostas inicialmente por Moraes ao uso de redes sociais e entrevistas a veículos de comunicação “passaram a traduzir verdadeira proibição de divulgação de manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, inclusive por intermédio de terceiros, sem que houvesse previsão legal ou fundamento constitucional apto a justificar semelhante extensão”.