O polo de moda íntima de Nova Friburgo, um dos principais motores da economia da Região Serrana, enfrenta desafios como o aumento da informalidade, a dificuldade de contratar trabalhadores e a concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico. O cenário foi debatido em audiência pública realizada nesta quarta-feira (08), na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Evandro Miguel (MDB).
Durante o encontro, o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo e Região (Sindvest), Gustavo Moraes, apresentou um panorama do setor. Segundo ele, a entidade representa empresas de 12 municípios, reúne 496 associados e responde por cerca de 28 mil empregos. Até maio de 2026, Nova Friburgo contabilizava 4.282 empresas ligadas à confecção, sendo 63,8% delas registradas como microempreendedores individuais (MEIs). Entre as principais preocupações está o crescimento das facções irregulares, que, segundo o sindicato, promovem concorrência desleal e prejudicam as empresas formalizadas. Como solução, a entidade defende o reforço da fiscalização e campanhas de conscientização sobre a importância do trabalho formal.
Outro desafio é a falta de mão de obra. O Sindvest informou que cerca de 80% dos trabalhadores do polo são mulheres e atribui parte da dificuldade de contratação à limitação do atendimento em tempo integral nas creches municipais. A ampliação dos horários das unidades de educação infantil foi apontada como uma das medidas para facilitar o retorno dessas profissionais ao mercado de trabalho.
A concorrência de plataformas internacionais, como Shein e Shopee, também foi tema da audiência. O setor afirmou que não busca restringir a atuação dessas empresas no país, mas defende uma equiparação tributária para garantir maior competitividade à indústria nacional.
Outro pleito apresentado foi o aumento do apoio financeiro à Fevest, considerada a maior feira de negócios da confecção da América Latina e reconhecida como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Segundo o Sindvest, o evento custa cerca de R$ 3,2 milhões por edição, enquanto a subvenção da Prefeitura é de R$ 80 mil.
Representantes do Senai defenderam investimentos em transporte e alimentação para alunos dos cursos profissionalizantes, enquanto a Sala do Empreendedor apresentou incentivos para abertura de empresas.
Entre os incentivos disponíveis estão o desconto de 50% na Taxa de Fiscalização, Localização, Instalação e Funcionamento (TFLIF) no primeiro ano de atividade e de 25% no segundo ano. O município também disponibiliza um simulador de tributos municipais para novos empreendedores.
Durante a reunião, a Prefeitura também regulamentou a Lei de Liberdade Econômica.
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