Correio da Manhã
Serrano

Operação em Terê desarticula esquema de desvio de R$ 86,2 milhões

Investigação teve início após apreensão de R$ 500 mil em espécie na cidade

Operação em Terê desarticula esquema de desvio de R$ 86,2 milhões
Entre os presos está Davi Perini Vermelho, presidente do Instituto Rio Metrópole Crédito: Reprodução/MPRJ

Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizada nesta quinta-feira (09) em Teresópolis resultou na denúncia de 11 pessoas por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratos e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, o grupo teria desviado R$ 86,28 milhões do Instituto Rio Metrópole (IRM) por meio de contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em endereços na capital, em São Gonçalo e em Teresópolis.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), a investigação teve início após uma acusada ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, sacados em uma agência bancária de Teresópolis. A partir da análise dos documentos e equipamentos apreendidos, os investigadores identificaram um esquema que, segundo o Ministério Público, utilizava empresas contratadas pelo IRM e o Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO), apontado como uma entidade sem estrutura operacional, para desviar recursos públicos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Entre os presos está Davi Perini Vermelho, atual presidente do Instituto Rio Metrópole e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti. Segundo o MPRJ, ele liderava o núcleo de servidores investigados, autorizando contratações, assinando contratos e controlando pagamentos.

A operação contou com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência, do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos, do Ministério da Justiça, e da Corregedoria da Polícia Civil.

Segundo a denúncia apresentada à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, o esquema foi descoberto após uma acusada ser flagrada transportando R$ 500 mil em espécie, sacados em uma agência bancária de Teresópolis, em janeiro deste ano. Os investigadores identificaram 28 transferências das empresas contratadas pelo IRM para o Instituto BIO, totalizando R$ 3,29 milhões.

De acordo com o MPRJ, o Instituto BIO não possuía funcionários registrados, tinha capital social de R$ 0,00 e estrutura incompatível com os serviços contratados.

Segundo o MPRJ, empresas contratadas pelo instituto repassavam parte dos recursos ao Instituto BIO por meio de contratos simulados. O órgão pediu o bloqueio de bens dos investigados e das empresas até o limite de R$ 86,28 milhões, o afastamento dos agentes públicos envolvidos e a suspensão dos contratos investigados.

A reportagem tentou contato com a defesa de Davi Perini Vermelho e do Instituto Rio Metrópole (IRM), mas não recebeu um posicionamento.